segunda-feira, 14 de abril de 2014

La isla : Do barco à barca #outrasruas + #nãozoajesus!



Acordei , e parece que tinha mais gente acordada também, afinal, aqui o Carpe Diem é levado muito à sério. Saimos à colher o dia. A falta que o cafézinho faz é sentida nesse momento, mas logo isso foi superado com um bule de agua quente um filtro velho e uma ida ao supermercado. Logo, tinhamos uma mesa razoavelmente farta. Precisariamos disso, pois o dia seria longo , mas produtivo. Saimos do café no campinng rumo à praia , ou melhor,na busca por uma carona para ir para Dois rios, onde ficava o famoso presidio de ilha grande , tema de filmes e estórias sobre o comunismo, o crime organizado e outras tretas, hoje é território controlado pela UERJ, que inclusive é a dona da suposta carona. Nada feito, mesmo se apresentando como geógrafos em pesquisa a carona não rolou. Plano dois ? Lopes mendes, que em nada fica atrás de Dois Rios. Talvez em história...

Enquanto esperavamos pelo barco que iria nos levar à lopes mendes, descobrimos as maravilhas do slackline, dominado pelos menores moradores, até nossa chegada. A zoeira é inevitavel e parece que nos persegue ! fizemos um campeonato de passos no slack, onde cada um representaria seu lugar de origem. Não me lembro que venceu, mas cabuçu estava na final, e ficou em segundo lugar. Dane-se o ´primeiro lugar ! cabuçu é meu amor e é isso que vale no final, foi bem representado. Engraçado foi chegar uma menina do nada lá e pediu para fazer umas fotos nossas no slack. Algumas fotos depois, ela se apresenta como aluna do jornalismo da Rural. Parece que encontramos ruralinos em todo lugar do mundo, seja trabalhando, seja se divertindo. Trocamos emails para recebermos as fotos que ela fez, que provavelmente ficaram muito boas. As nossas ficaram otimas, imagina as imagens profissionais...

O barco chegou, era o athos II , se não estou enganado. O mar parecia sólido visto de dentro do barco. Cortavamos a imensidão azul enquanto semi-circundavamos a ilha. Eu brizando na popa do barco agradecendo a Deus pelo dia lindo que tinha caido sobre nós. Essa vida de mar é uma beleza ! Queria muito que Danny estivesse aqui para completar o momento... Chegamos num pequeno cais numa praia pouco movimentada. Outros barcos ancoravam e uma quantidade boa de pessoas seguia a trilha de mais ou menos 1 km. Embalamos na subida e aos poucos os menos resistentes iam desacelerando. Estava muio quente para ficar molengando sob o sol. Riamos enquanto andavamos e conversavamos sobre possiveis comportamentos de amigos nossos que não vieram ao encarar esta pequena trilha.

A beleza de ilha grande é uma coisa incrivel ! saindo da trilha , damos de cara com aquela praia "selvagem " e pouco frequentada (em comparação com a praia preta e abraão, ela estava deserta). O mar contrastando com a areia branquissima e a mata logo na beira para nos dar sombra. Alguns poucos caras vendendo um sanduiche e umas bebidinhas, mas nada que lembrasse o tumultudo de copacabana e ipanema, tirando o preço , que era surreal , mas totalmente justificavel devido ao dificil acesso à praia e a pouca concorrencia ( valeu mises! ). O mar lembra muito o de praias como a Barra e Copa, a unica diferença é a limpeza. Caminhei em direção ao mar. Mergulhei na agua fria , que me lembrou Barra de Guaratiba, meu refugio suburbano.

Placas sobre a correnteza forte sempre me assustaram, hoje não foi diferente. No mar com a galera, as ondas fortes começaram a ficar um pouco mais fortes que o habitual. Fui arrastado para ao vala do banco de areia, e nesse momento me lembrei da vala asassina de itacoatiara . Já não adiantava mais bater os pés. Inda bem que percebi isso bem na hora que uma onda forte se aproximava, e foi ela que me ajudou a sair nadando da vala e da vaga da onda anterior. O mar estava puxando demais, não sei nadar muito bem, preferi sair da agua. Andando rumo à onde Michella estava sentada eu olho e vejo a guarda florestal com uma camera apontada pro mar e o guarda que acompanhava ela rindo e falando altas zueira. " Vou ter que botae uma placa de correnteza maior, essa já não adianta mais, tem que tocar musiquinha e ter luzinha, parece que vagabundo nem sabe ler pô..."

Me viro , e para a minha surpresa (ou não) eram meus companheiros, tentando sair do mar assassino, provavelmente na vala maldita de trás do banco de areia. O Guarda vidas entrou no mar de longboard, e com destreza unica destes caras foi e tirou os paspalhos da zona de perigo e estes voltaram nadando o mais rapido que podiam depois do susto. Para completar a zoeira , o Guarda vidas saiu surfando uma onda ( pra voces terem noção da altura do mar, o guarda deu uma rasgada de long tranquilamente). Conversando na areia já descobri o motivo : zoaram jesus dentro do mar. A GeoUFRRJim é vitima de se ferrar após zoar o mestre, vide o onibus quebrado no meio do nada na volta de uma semana academica em seropédica. Dai começou a campanha #nãozoajesus! no instagram e no facebook. Antes de partir , ainda tive pique pra entrar de novo no mar e ir no canto da praia onde tem rochas maneirissimas e cactus dignos de belos cliques fotográficos.

Trilha, barco, agora eu via o mar verde da proa e recebia todo vento que vinha do litoral. Minutos depois estavamos de volta ao campinng , desarmando barracas , pagando despesas e arrumando mochilas. A fila da barca é uma coisa absurdamente grande , mas estava andando . Dei falta do meu Holbrook, da Oakley, mas agora era tarde demais, estavamos no cais de embarque e não tinha mais volta. Situação de conforto deploravel. Ficamos na porta do banheiro masculino, deitados sobre um lençol que "apareceu misteriosamente" no meio das minhas coisas. Provavelmente de alguma francesa que estava no campinng, hoje está na minha forrado na minha cama.Bebados fazendo coisas de bebados perto de nós, mas o cansaço era tantop que eu só dormi. Quando dei por mim, estavamos em mangaratiba . Sai pra trocar dinheiro enquanto o onibus não chegava.

O onibus chegou no ponto e entramos sem maiores dificuldades. Eram umas 8 horas da noite. A viajem parecia curta... até encontrarmos a estrada COMPLETAMENTE engarrafada, de ponta à ponta. Depois de um trajeto de 30-40 min feito em 2 HORAS ! estavamos , enfim em Itaguai. O ultimo onibus que passava por nova iguaçu estava prestes a sair, e agora era ir do jeito que dava . Onibus bizonhamente lotado, mas viagem rápida. Os motoristas da expresso são conhecidos por esta virtude. Pneu do onibus tão vazio que a cada buraco na estrada era uma reza que alguem fazia para ele não estourar. Mais ou menos meia noite eu desci em cabuçu, depois de uma good trip que provavelmente nunca mais esquecerei. É isso.


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