quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

AntiSoneto dos gostares e desgostares #naoépoesia

Das lágrimas no asfalto
Dos postes que já não choram luz
Dos espelhos dos prédios
Odeio os cinzas , amo os azuis

Dos sorrisos do cobrador da van
Das mesas do botequim
Do trem que eu fui sentado
Da roupa no manequim
Das tintas nas paredes

Das cores das pessoas Foram as coisas que gostei
Isso não é pra ser um soneto Por aqui findei.

#nãoépoesia

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Rolezinho : Por Um Cotidiano Menos Chato

                                  Não sei se é porque eu tenho muitos amigos que se identificam com causas sociais , que gostam de politica e que na maior parte são esquerdistas,mas nessa semana minha timeline no facebook tinha mais post sobre rolezinho do que sobre BBB . Fiquei de boas só observando opiniões,desde o inicio eu estava na page de criação do primeiro evento de rolezinho no facebook,observando as "discussões da logística" do evento. Como acho que captei a essência inicial do rolê (já que agora a bagunça é tão grande que temos de rolezinho gospel à rolê gay) tenho alguns achismos e questionamentos que gostaria de compartilhar (aviso, opiniões polêmicas à seguir).
                               Como já venho discutindo neste blog anteriormente , a rua tem seus usos diversos , mesmo estes usos sendo diferentes do seu propósito inicial ( a rua é para os carros). Estes , chamo de Multiusos do espaço único. A rua, bem ou mal, é um espaço publico e plural, enquanto o shopping na sua essência é um espaço que não suporta outros usos por ser segregador e seletivo ,e não acho isso de todo mal, digo isso pois diversos serviços chegaram no Brasil justamente por causa dos shoppings e de seu caráter segregador e exclusivista, prova disso são os outlets e os "saves day" como o ponto mix e o polêmico black friday, que inicialmente surgiram para satisfazer as necessidades do consumidor de shopping e depois se expandiram para o comércio popular. Quem me conhece sabe que meus nikes são todos de outlet,por isso não me sinto tão burguês ao usar meu nike flyknit supreme hehe.
                             O shopping se caracteriza como propriedade privada , que por direito se abre ao publico, e assim é livre o acesso, mas , diferente da rua e por ser propriedade privada , não tem a menor responsabilidade de se abrir à qualquer tipo de manifestação dentro dele. Você pode convidar as pessoas para entrar na sua casa,deixar sua home sweet home aberta à entrada de todos. Isso te tira o direito de pedir que as pessoas não ponham os pés na parede, ou que não fiquem pulando no sofá ? não ,pois você permitiu a entrada , mas não coletivizou a posse e o direito da/na propriedade. Se os shopping fossem feitos pelo governo e independentes em 100% do capital de fundos privados dos grupos empresariais multinacionais que gerem os shoppings brasileiros (coisa que eu acho inviável) você poderia frequentá-los até pelado. Fora isso, infelizmente, temos que se contentar em respeitar o micro poder capitalista dos shoppings.
                            Outra coisa que me incomodou muito foi ver meus amigos da esquerda intelectual querendo levantar bandeira de vanguarda perante esse movimento de rolezinho. Acho isso mó babaquice, desta maneira , acabam por nunca deixar o papel de protagonismo na luta social nas mãos dos mais pobres, que na minha humilde opinião não marxista , deveriam ser os atores principais nesse processo por serem os maiores interessados em mudanças (em um sentido não partidário) e assim continuamos perpetuando a máxima de que "toda revolta é popular,toda revolução é burguesa". Vimos o grande "nada" em que deu os protestos de julho, ainda mais depois do esvaziamento dos discursos. Os 20 centavos já estão voltando à passagem (um amigo meu tem uma "teoria da conspiração" sobre isso, que devo explanar um dia desses), a corrupção não parou, e sim, teremos copa. Quem estava lá à frente de tudo isso ? a esquerda intelectual e partidarista ,paradoxalmente promovendo (ou tentando promover) aquilo que eles mais odeiam : a massa de manobra. Deu merda ! E o que ganhamos foi só mais gente chata se dizendo marxista sem ter nem lido/entendido o mísero manifesto do barbudo bêbado.
                          Achei o protesto que rolou lá no pé da rocinha bem mais politico que qualquer outra marcha partidária. Foi a manifestação mais pura de politica popular que eu já vi. Eram os afetados falando por eles mesmo , sem interlocutores e de sua própria maneira. Sobre suas reais demandas,tristezas e sentimentos. O pobre, falando do pobre por saber como é ser pobre . Sinto que o povo cansou dos partidos, cansou da forma de governo e estado vigente. Cansou de vender sua voz e iniciativa por uma bolsa qualquer coisa.O povo viu a direita governar e odiou, viu a dita eterna esquerda governar , teve algum beneficio ,mas diante dos escândalos partidários e da sucateação do viver tem passado à odiar esta também. O que fazer ? falar por nós mesmos !
                          Esses intelectuais orgânicos são muito engraçados. Parece que estão buscando sempre uma tese para trabalho de conclusão de curso de ciências sociais. A prática da complexificação intelectual do rolê me fez rir. É gente falando que é a essência da luta de classes, que tem a ver com bakunin , que um filósofo russo-otomano vem explicar isso pela retórica rolezistica-roterdâniana- proto-capitalistica-pós-modernista de slavoj zizek-chauí. Uma pergunta fácil : O cara lá que quer "zoar-curtir-dá uns beijo" está realmente preocupado com isso ? Nem vou responder, pois meus leitores são espertos e já sabem a resposta. Parece que esse povo de universidade acha que os comportamentos humanos tem sempre que estar relacionados à uma teoria sociopolítica. Antes de marx como as pessoas conseguiam viver sem a dita explicação do barbudo para tudo então ? É obvio que não posso ser ignorante o suficiente para dizer que o viver não é influenciado diretamente por fatores externos de cunho politico e social, mas será que é realmente necessário complexificar tudo ? será que as pessoas não conseguem mais "ser" sem que tenha algo que venha obrigatoriamente explicar sua postura ? Será que a complexificação não é só uma coisa que está nas nossas cabeças já massacradas e calejadas pelo sistema universitário ? SERÁ QUE A INTENÇÃO DO ROLÊ NÃO É SÓ CURTIR MESMO ? sério, parem com isso. Vocês estão deixando o viver muito chato.
                          Meu coração impregnado por ideias marxistas ,compromissado com causas populares , mas ainda crítico ,ainda não processou ao certo tanta informação, e provavelmente não chegarei à nenhuma coisa concreta agora . posso mais à frente mudar de opinião , me impregnar pelos valores complexificatórios e sair complexificando a merda toda, e me tornando o tipo de chato que tanto critiquei ,ou não. Humildemente encerro aqui minhas questões e achismos, não significa que estou certo, mas sei que há alguma coerência nas minhas ideias. Aos meus amigos que se identificaram com a causa , deixo-vos o mesmo conselho que um cara lá da FFLCH da USP deu : quer ir ,vá , mas não vá esquerdar. A Rua é complexa, tão complexa que sua complexificação universitária (esquerdista ou não) não vale absolutamente nada.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Dizia Ele, Estou Indo Pra Brasilia #outrasruas

Minas é gigante ! muito maior que no mapa de mercator. A unica coisa que me consolou foi que bebi café de graça e compraram um cigarro feito de especiarias do cerrado muito cheiroso. Só isso que comentarei de minas,já que quase não fiquei por lá. Chegar a brasilia é um negócio esquisito, paisagem muito repetida,é como uma cidade feita num deserto.Parece que estamos em algum lugar proximo à strip de GTAsan andreas. Uma coisa muito esquisita. As pixações eram lindas, grandes e ocupavam toda a periferia.Uma reta infinita, que nervoso ! A parte rica também era muito parecida, uns condominios com entradas muito iguais, casas chiques , hilluxes, frontiers,corollas. Deve ser da galera do governo, pensava eu.
 Depois , mas proximos da esplanada dos ministérios muitos apartamentos , bairros quadrados. é muito esquisito uma cidade planejada assim, me senti como se estivesse no japão, a beira de um terremoto. Ainda não sabiamos, mas estavamos bem proximos de algo sinistro. Num restaurante ali pela 110/109 da asa sul , cheiro bom de comida,mas uma fila chata pra entrar. Um helicoptero da policia extremamente baixo e policiais estavam passando por solo. Era 7 de setembro, jogo do brasil x inglaterra, mas na minha cabeça parecia blackblock x policia. O gigante tava querendo acordar por ali . Entramos, mas almoçamos numa tensão filha da mãe. Almoço bom,recarregar o celular,noticias à familia, senti falta da batata frita.
Andamos de onibus, o shopping de brasilia é lindo. Uma ode ao capitalismo . O plano piloto é lindo,só que é feito pra afastar as pessoas. Paramos pra fazer uma medição perto da rodoviaria do plano piloto. Levantei o barometro e do nada o helicoptero subiu. Tiro porrada e bomba e ia sobrar pra gente. Cade os manifestantes ? vi umas pessoas lá passando e sendo abordadas, gente correndo das bombas , só vi a policia apontando arma letal pra gente parar na rua. Estavamos dento do onibus à muito tempo só observando quão barbara era a covardia da policia estatal. Policia ,se não para defender as pessoas,não serve mais pra nada.
Fomos de onibus pro congresso. aquilo é um absurdo de grande, Brasilia era maior que o onibus escrotamente grande da rural.Brasilia quente até sem sol, o eixão monumental é lindo, niemeyer é um genio, mesmo sendo comunista. Comunista?.O eixo foi feito pras pessoas ? acho que não. Gramado do congresso, seguranças pra caramba, o #ruralblock estava chegando ! carros do choque vindo lá da rodoferroviaria ,muitos seguranças chegando, muitos mesmo ! ai como eu tô bandida ! se esses seguranças defendessem o povo... seria uma benção. Estavamos ali no amor, um amigo nosso é fotografo da EBC, estavamos ali graças à verbas federais, eramos de uma Federal... obvio que não amamos o governo ,mas estavamos ali justamente por causa dele . Fucking walking paradox. Saimos deste caos chamado bsb,por do sol no paranoá visto da janela do onibus. violão no fundo do onibus por dentro da estrada escura e empoeirada

O Santo Guerreiro Do Cerrado : Nas Ruas De São Jorge #outrasruas

                           Tudo escuro. poeira e mais poeira entrando por todos os cantos do ônibus. Eu conversando com Barbara sobre casamento e casa, lá atrás o violão já tava um tédio. Cilada maior que a de bino é ser motorista da Rural. Só de zuera eu passei o dedo na poeira da estrada e marquei de vermelho-poeira o aviso que dizia "proibido passar em estrada de terra" hahaha. agora era tarde. Lá na frente uma luz pequena , um carro ? um dos milhares de jeeps que passavam por ali vindo ou indo à Brasilia ? não , era a salvação ! no meio do escuro surgia o vilarejo de S.Jorge. Os zoeiros de plantão gritavam "salve jorge" pela tamanha satisfação que era chegar à um pouso. afinal, já eram quase 24 horas dentro de um onibus.
                          O onibus da rural é uma coisa tão grande que chega a ser escroto entrar num vilarejo assim tão pequeno. Paramos a vida pacata local com nosso gigante de prata, mas mesmo com toda a aura mistica e naturalista ao redor daquele lugar não fomos alvo de olhares acusadores , como se aquele não fosse nosso lugar por causa de nossa "cara de turista" , mas fomos recebidos com acenos e sorrisos. Que lugar roots ! descemos do onibus. Tivemos um pouco de dificuldade para parar ele em algum lugar , mas deixamos proximo à praça principal dali. Comida caseira , senhora simpática . Melhor que o restaurante de brasília.
                        Jantar pago, seguimos com as tralhas para nosso campinng . Ouvi o Emerson dizer que era por ali, no meio do escuro. Viramos à direita e o caminho de velas surgia no meio da noite escura, porem estrelada, do coração do pais. Barracas armadas, fila pra tomar banho nos unicos 2 banheiros do campinng, as gracinhas da pequena filha do dono campinng, criança sortuda de ter nascido em um lugar tão abençoado por Deus e bonito por natureza.Uma mesa de madeira, Daft Punk no rádio dizendo que "we up all nigth toget lucky". Vamos pro forró dali ?
                       Comentários escrotos sobre como a qualquer momento um estuprador poderia sair daquele mato,era a camila que estava comigo ? acho que sim . À porta do forro, ficamos meio " e ai , é só sair entrando ?" estava tão escrito na nossa cara isso que os próprios "seguranças" falara para entrarmos e ficarmos à vontade. Pinturas nas paredes, um dj tocando forro ,que de 10 musicas eu conhecia 1/2 música.Muita mulher bonita, não gostosa, bonita mesmo, encantadoras . tinha uns caras bem bonitos também, gente simpática , provavelmente da UnB, Ah, e o "povo que veio do rio" .
                     Eu naquele dia tive a plena certeza de que não sei dançar forró, ainda bem que camila é compreensiva e estava tentando me ensinar, mas ela também sabia pouco e já estava ficando "alegre". Professores dançando, inventando passos, conversando de coisas para além da graduação, afinal, isso também é aprender. Um dragão caindo do teto, o mezanino onde tinha "charuto", um cheiro de perfume importado,paz e amor, "isso é coisa feia".Que noite linda.
                    Não sei que horas eram , mas combinamos de voltar. carreguei alguém nas costas , fizemos bagunça na rua , tanta bagunça que uma galera legal se aproximou de nós e perguntou se o onibus era o nosso. Sim. "Vocês fazem geografia né ? " sem saber como eles sabiam respondemos que sim; eram nossos irmãos de geografia lá da UnB. Risadas, referencias , convites ao bar. "vamos pra queda de 80mts amanhã", "então é melhor vocês dormirem" , recomendaram-nos e despediram-se com o isquero que lhes dei de presente. As ultimas conversas, bebados na minha barraca. Boa noite. E logo após o dia se acendeu.

O santo guerreiro do Cerrado : nas ruas quenão são ruas #outrasruas

                           Céu azul. Mas um vento frio deixava-nos a pensar que o dia talvez não vingasse. Mas vingou. Logo a bola de fogo subiu lá do leste , empurrada por Deus que lá do céu dizia: tenham um bom dia. Café, fila pro banho de novo, a filha do dono do camping dormia,mas a rural já estava de pé e a mil por hora. O primeiro guia apareceu e falou lá umas coisas que nem prestei atenção,queijo no prato e a cabeça ainda toenteada da farra do ontem.Desmonta a barraca pra quando voltarmos só colocar no bus.
                           Partimos. Uma rua empoeirada , já estamos na chapada? nos dormimos na chapada ! hahaha. Arroz, feijão e ganja , um grafitte fora da rua ? lembrei de casa e do meu cotidiano e lembrei que rua não se resume ao asfalto , as pessoas são "a rua". Portal da chapada, mais dois guias e um mestre : seu wilson, ex garimpeiro que conhece a chapada com a palma de sua mão. Sabe das ervas, das rochas e fez a faculdade... não. a vida foi a melhor faculdade. Mestrado , doutorado, pós doc em chapadologia. Uma barba melhor que a de marx e a do papai noel.
                        É proibido qualquer tipo de extração da chapada, com excessão a de memórias. Céu azul(zão), arvores torcidas, rochas e mais rochas. Trilha pesada, uns 8km de descida e subida. chapadão monstruoso na nossa frente, flores lindas surgiam e quase ninguém via, as plantas que saram, que curam e rejuvenescem (em um sentido sexual) .Uma nave espacial caiu e deixou um rastro de vidro no chão,como milhões de cristais espalhados numa micro clareira no meio do cerrado. Meu guia me disse que quase sumiu por causa da extração ilegal de material, mas mesmo assim aquele era o lugar mais brilhante do planeta terra (segundo a NASA) .
                     Buracos dos tempos de garimpo, memórias de garimpeiro, me dá um pouco d'agua, a minha já acabou. Um canyon , paredão de rocha com um corrego lá no fundo . Olhei pra direita e uma mega queda d'agua. 120mts de inesperada beleza. Logo depois de umas descidas um lago lindo formado por uma outra cachoeira , a de 80mts ,acabou a sede e o calor. Bebi daquela agua, mergulhei no rio- lago. Felicidade, sol, som da agua caindo forte, fotografia de leve recorda,registra mas não substitui o momento vivido. macarrão de fogareiro feito em cima de uma pedra, minha camisa molhada secando um pouco numa pedra . Vamos ? trakinas de morango é o elixir da força eterna !
                     mais trilha, agora subindo. Visual de campo de areia branca com vegetação mais baixa, lembrei das vegetações preservadas na barra, palmeirinhas, som de agua. Um visual indescritivel, talvez unico. Rochas vermelhonas com uma correnteza muito leve , poço de pedra que engana os que querem mergulhar achando que é raso. Se tem agua em marte deve parecer com isso. Fotografando os amigos, conversas na outra parte perto das corredeiras própriamente ditas, malditos sejam os peixes que mordem as pessoas ! ceu azul com nuvens, mas ainda azul. Wilson , tira foto com a gente ? tiro, mas temos que ir.
                   Trilha bizarra na volta, todo mundo morto, mas feliz. Chegar no vilarejo, meu tenis destruido, assim como diversos outros tenis de amigos, independente se era da leader ou da adidas, só o tenis da camila resistiu, não podemos dizer o mesmo do pé dela. Jantar rápido enquanto outros tomavam banho, tentativas de comprar coisas , mas tudo muito caro. A exclusividade fazia valer. Maldito capitalismo ! Subimos no gigante de prata e saimos pela poeira da estrada , cheios de estórias, sorrisos e sono. A ultima coisa que me lembro é da entrada de alto paraiso, depois disso só me lembro do sonho que tive .tive a melhor noite dos ultimos dias.

Carol #outrasruas

                              Dormi em goiás ,acordei em tocantins . Ainda no onibus,e foi nele que passei boa parte do dia.Café no posto de gasolina e a noticia de que champignon tinha morrido. Internet que já não via a dias pra falar com a mãe e dar noticias de amigos.Conheciamos um personagem do norte : Pipes, o Eike Batista do Maranhão. História bonita pra alcançar um patrimonio invejavel.Balsa gigante, onde cabia o nosso onibus e um monte de outros carros, um cara vendendo dvd , o motorista comprou um mp3 de coletanea,que a primeira musica era "sobreo mesmo chão". Deus esteja ! Atravessamos o rio e foi a primeira vez que vi carolina,rápido,mas vi.nem sei se é domingo ou segunda... sei que não via quase ninguem na rua. Um almoço no caminho : arroz,farofa de milharina carne de sol e feijão mulatinho.Correria pra voltar pro onibus. Estrada de asfalto cortando a chapada das mesas. Uma abertura na rocha que tinha a forma do estado do tocantins.
                             Chegamos à dominios de pipes Pedra caida, mosquitos, gente caindo da plataforma, risadas, tá tudo bem. A partir daqui descida, descida e mais descida. Um guia nos levava enquanto mostrava o enorme resort que era construido ali dentro. Fiquei num misto de "vai ficar lindo" com " vão destruir a natureza" . Quero que minha lua de mel com Daniella seja aqui, independente do que aconteça. Descida. Lá no fundo da fenda feita por Deus viamos que a descida valeu a pena. Queda d'agua gelada lavando a alma. Deixamos nossas coisas no meio do mato: aqui não tem com o que se preocupar, para onde vamos não é nescessário levar essas coisas materiais. Começava ali nossa experiência de mistura, nos misturamos com a natureza até sermos um só.
                               Caminhada no meio da fenda ,ora rasa, ora funda. Meu celular na mão enrolado num saco plástico, o medo de deixar a agua entrar ali, só tinha pago 3 prestações das casa bahia. Senti o vento no meio do vale ficar cada vez mais forte a medida que andavamos , foi então que eu vi o santuario. Perfeito o nome deste lugar, enxerguei Deus ali na minha frente . Mesmo sendo geografo não sei do que chamar aquele lugar,talvez fosse uma caverna que o teto desabou, sei que caia muita agua de cima com muita força e isso fazia o vento que sentiamos ali. Agradeci à Deus e mergulhei de encontro com o fundo de pedra daquela caverna.
                         Fiquei muito emocionado, não sei se chorei porque era tanta agua e vento que minhas lagrimas provavelmente eram sopradas instantaneamente.Os celulares ficarm numa fenda na rocha, não era momento deles. A vida fez questão de estragar todas fotos daquele lugar : era um lugar pra ser sentido, não explicado por um mero recorte do real. Palmas, sorrisos e gratidão por essa experiência. Saimos, mas sem deixar de atravessar a ponte . Pulamos , sorrimos e a ponte balançava para o terror dos que tem medo de altura.Dá pra desligar esse relógio cara ? tudo o que não precisamos é que o tempo passe.
                       Voltamos e pela segunda vez vi carolina.Era pequena, mas era linda. Ficamos no Rilton Hotel, finalmente uma cama depois de tantos dias dormindo no onibus e no chão da barraca. Banho. Vamos de role pela rua ? Fotografia, uma nex f3 é boa pra fazer fotos assim, na rua , no escuro. Fatos históricos, a capsula do tempo ,ruas simpáticas . Aquele cara deve vender maconha, e vendia mesmo ! não que eu tenha comprado, mas que vendia vendia.O final da rua era o rio. Na praça tinha uma igreja, não entrei mas respeito. Liberados ! uma praça muito legal , com três lanchonetes. Ficamos com a pizza, uma das melhores que comi na vida por sinal.
                      Vagamos pela cidade e chegamos a uma duvida : carolina tem linhas de ônibus? pelo tempo que estive lá , não vi. Pessoas na frente de casa, um calor filha da mãe associado aos mosquitos. Tédio dentro do hotel. Ficamos lá na esquina vendo o movimento. Sentamos na calçada de uma casa que nem sabemos de quem é. Uma cena esquisita : uma garota entrou de moto em casa e estacionou na sala (!?) Rimos, encostei na cama e instantaneamente dormi.Um tempo depois ouvi Dotty falando que já tava na hora. Não botei fé. tempo depois, mais gente chamando lá no quarto : estava atrasado ! Café rápido, entrar no onibus atrasado com a chave do quarto,voltar na recepção. Vergonha, mas tudo bem. fé em Deus e Pé na estrada. Fiquei ,sem querer, com

Uma Passagem : Memórias Curtas Sobre A Estrada #outrasruas

                         Barca voltando,Dotty comprou o Dvd do Sambô e um de forró. Preconceito contra o sambô, bom mesmo é Pink Floyd.Não pra mim. Sinuca na casa rosa no meio da chapada das mesas. Estradão bonito do cacete ! Uma picape alugada pra entrar no Monumento das Arvores fossilizadas. Arizona brasileiro ! milhões de anos de história nos rodeavam em forma de pequenos pedaços das eras. Calor , muito calor. Minério de ferro deixando o chão vermelho, era ferro puro. Picape lotada , Mauro fez chover . Onibus, uma pequena cidade surgiu , vamos almoçar. Carne de porco com pelo, não gosto disso... Sorvete pra compensar a carne que não comi. Sorvete muito barato , lojinhas que vendiam coisas rurais, Uma garrafa com feijão trepa pau de várias cores , 8 reais. Valia a pena. Uma galera foi almoçar numa borracharia (!?).Dormi no onibus com o gosto do sorvete na boca,acordei com o gosto da poeira. Em algum lugar no meio do escuro rumo à itacajá.

Uma Rua Chamada Krin #outrasruas

                                Abri os olhos e ao longe vi . Cidade pequena escondida na poeira do estradão, duas ruas principais se cruzando . Um mercado que vendia tudo, de facas à tenis da nike.Parei no posto de gasolina e fui comer um bolo. Doce era uma coisa rarisima na nossa viagem,doce também era a atendente (sem maldade nesta frase). começamos a conversar e ela foi me contando o que rolava em itacajá : das festas , das pessoas e dos krahô. Meu coração já apertado de ansiedade se apertava ainda mais.
                             Conversamos um tempão e meu caminhão chegou, paguei,me despedi e nem perguntei o nome dela, por puro esquecimento.Descarregamos o onibus e começamos a carregar o caminhão , pela quantidade de coisas foi necessário chamar mais um. No segundo caminhão que foram as pessoas e mais coisas. o caminhão cortando o cerradão no meio da noite. Amigos dos lados se seguravam como podiam . Um mehin dizia " é assim que o mehin viaja". Espremidos entre malas presentes e cestas básicas , eu cortava a noite estrelada do norte brasileiro.
                           A vegetação seca , o ar frio , o cheiro de fumo. Era uma experiencia unica , e só estava começando. depois de minutos no escuro , pequenos feixes de luz atravessaram a escuridão. Foi a cena mais cinematográfica da minha vida. Não chorei por que não sou desses, mas foi realmente emocionante. Palavras de boas vindas, um banho no escuro, nossas malas num canto da sala da escola kraho. Sono. A faca do professor ,que agora já era amigo, dividindo a comida com os que estavam no quarto. Rituais, novos nomes.
                           Um pai, uma familia. não faziam nem 24 horas que eu estava ali e eu já era abraçado por essa rua tão cheia de significados e amor. Pessoas do nada me paravam e perguntavam se eu era filho do kothet, eu meio sem saber respondia que sim e elas se apresentavam como tios, primos, amigos de familia. Amor sincero, coisa rara e bonita de se ver . O chão era vermelho, cerradão. Cidade redonda onde em quase toda casa eu tinha amigos. Natureza, banhos quase toda hora . eu me senti como um daqueles colonizadores que se espantavam com a quantidade de banhos. Me banhei sempre que possivel.
                           A natureza era (!). falar o que ? tudo tinha nome , tudo tinha sentido e forma de se lidar. Um mapa gigante na mente ,do ir e do não ir , me lembrava do meu pai e meu tio me dizendo dos lugares aonde não ir no rio de janeiro. Domingues me falava do morro ken atrás de nossa casa, de lá de cima se via toda terra krahô , a do presente e a do passado. Morro Ken, casa de araras, de rochas cheias de ferro na composição e de histórias sobre o viver.Os pés de caju sofreram com a nossa presença ! sucos feitos à mão. Agrotóxicos pra que ? caju natural nascendo maior que manga carlotinha.
                        Canções, danças madrugada à dentro . "jakana prã " anunciando que a carne estava posta ! que começe a preparação do paparuto. Não era bem o que esperavamos , mas até que era bom (menos quando se come um inteiro , como eu fiz, as consequencias são meio ruins). Corridas de tora onde o importante é realmente competir. Terminar empatado é melhor que termos derrotados. Porque a sociedade não aprende isso ? O futebol, que caras velozes ! aqui eles queriam ganhar , mas a #Geomaica não deixou (uh , geomaica !). Empatamos e sorrimos no final.
                        O sol, a aldeia e eu acordavamos mais tristes no outro dia. Eu olhei pra Andréia e disse, lá vamos nós. Despedida, o caboclo que amou demais a india me deu uma maraca. Cara incrivel. tinha uma unica blusa , não sei se foi certo, mas deixei uma das camisas que mais gosto pra ele, enquanto pensava em quão escroto eu era por ter umas 500 camisas no meu armario. Abraço no domingues, beijo nas crianças. O caminhão chegava, a aldeia parecia tão concentrada ali quanto no momento em que chegamoss. Um choro da tuy da veve ,abraço forte que ficou marcado pra sempre no corpo e no coração da Veve. Eu pegava minhas bolsas, subi no caminhão. Estavamos voltando pra casa, levantei a lança e a estrada se abriu à nossa frente. krahô vive ,resiste e se reinventa. Entrei Cupein kateje , e sai mehin krahô e independente da rua que eu ande isso não muda. Nunca.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Ruas Siderais : Hora De Voltar #outrasruas

                                 Itacajá ficou pra trás,junto com Amanda, a garota do posto de gasolina, que só agora perguntei o nome. Saudade de casa, das minhas duas casa. Tô num lugar entre o krahô e dona teresa. O nome desse lugar é estrada.Posto tabocão lá no tocantins. Primeira vez que via chuveiro quente em 10 dias. Não que eu goste de chuveiro quente,mas significava uma volta ao conforto. Televisão de 50' no posto, noticias que ninguém viu nesse tempo no krin, e que nem me importavam. Almoço de 40 reais ? não, obrigado. Prefiro um joelho com uma coca cola, um não dois. Uma não , duas.
                                  Ja estava me sentindo mal desde que comi um paparuto inteiro. Tentaram colocar na minha mente que foi por causa do pão de queijo que comi em itacajá, mas no krahô eu ja não estava bem. Coca cola me curou temporariamente. Voltamos à estrada, e dormi tranquilo no onibus. rodamos rodamos e rodamos, nada de chegar em no destino. Tivemos a visão do paraiso lá pela meia noite . Alto paraiso é uma mistura de Buzios com o Vilarejo de S. Jorge . Um lugar com um apelo mistico,mas muito turistico. Rodamos pela rua principal, baladas e mais baladas. Era como se a Pachá tivesse aberto uma filial no sana. Lugar muito diferente. Não era nem esquisito, nem bonito. Era como se estivessemos em uma cidade em outra dimensão. Ainda estava escuro , mas pra sentir não precisamos de luz. Uma pizzaria com cara de casa, "pode pedir o que vocês quiserem, as pizzas já foram pagas, vocês só pagam a bebida" . Que noite agradavel ! um amigo meu foi até vomitar lá fora pra poder comer mais pizza. Não vou citar nomes. Tinha muita gente já passando muito mal, mas não nos cansavamos da pizza de lá. Era ótima, mas ainda prefiro a de bacon com presunto lá da Carolina.Bota tudo na conta da "Chance" ,vulgo veve.
                             Campinng , fila pra banheiro, eu precisava mesmo ir ao banheiro. Armar barraca, era a ultima vez que iriamos armar a barraca e dormir . Valeu a pena dormir assim, nem achava tão ruim... Boa noite Andreia. Dormi com os meus cordões e acordei todo marcado. Um dia lindo , num lindo lugar . Era uma manhã de domingo , e as lojas iam demorar a abrir. Fui tomar um café na padaria. Xicara de porcelana, lembrei da minha mug que me acompanhava desde os 9 anos de idade , quando me viciei em café. Quero comer nada não.
                          Alto paraiso é tão diferente , que até o banco 24 horas era diferente. Todo de vidro, com porta automatica.Meu cartão ficou tão adimirado que quis ficar preso no caixa,mas depois se lembro do rio e se soltou. Fui turistar um pouco. Carros de brasilia chegando pra ir nas cachoeiras, que não pude ir,uma igreja presbiteriana , uma outra igreja onde as pessoas iam de branco, Espiritismo ? acho que não,era diferente.Fui na lojinha de cristais, comprei um anel de magnetita e um quartzo azul biterminado , que segundo a vendedora (que não sei como , sabia que eu cantava e tocava) trazia a tranquilidade no falar. Comprei porque achei bonito, não por motivos misticos.
                         O mapa turistico só fazia sentido ,geograficamente falando, de cabeça pra baixo, esses turismólogos não entendem nada de mapas. Um Et a cada esquina , as portas da percepção do rei lagarto estava logo ali na nossa frente. Et maconheiro, mas gente boa. Não sei se as lojas eram caras ou eu que estava pobre. Eu tinha exatos 20 reais pra voltar pro rio de janeiro. Opção dois. Camila comprou o vestido ? tô na duvida. Sei que fomos numa loja ,que vendia de adesivos pra notebook até peças de brecho . Shorts da Colcci originais por 10 reais, oculos chilli beans por 30... era um sonho, pena que só tinha coisa feminina. Melhor que as coisas , só a dona da loja. Uma argentina que largou a ciudad pra se mudar pra alto paraiso, comprou essa loja e era dona de um camping , que custava VINTE REAIS ! Pagamos 40 no nosso... Senhora gente boa demais. " no meu campinng pode fazer tudo, menos loucura. Fumar um não é loucura" hehehe, combinamos de voltar lá um dia desses pra ficar no campinng dela. Comprei a minha carteira, que foi feita a mão por um artesão local,em couro organico, com um numero de série. Acho que serve pra dizer que ela é unica,unica como essa experiência que estavamos vivendo.
                   Mostramos com orgulho à todas as lojistas os nossos cordões e pulseiras originais feitas pelos mehin . Uma volta de tiririca aqui custava 20 reais, no krahô custava 2,50... capitalismo? Nossas voltas de tiririca foram pagas com amor e consideração, não com dinheiro. Uma das donas de uma loja quis dar 50 reais na pulseira que trouxe pra Daniella,avaliou que poderia vender até por 100 reais,já que era feita de tiririca e outras sementes nativas do krahô.Ainda mais sabendo que era um item original. Mesmo precisando de dinheiro, não vendi. Trouxe no peito comigo, junto ao amor que tenho por Daniella. Onibus, ultima foto em Alto paraiso.
               Almoço ali perto da entrada da cidade. Reencontramos o pessoal da pizzaria lá no restaurante . Eu passando mal pra caramba , mas o almoço tava bom demais. Era o ultimo na estrada. Despedidas . O onibus ligou o ar condicionado, sinal que estavamos prontos para partir . Passamos por debaixo do disco voador sem a certeza de querer voltar pra casa ou certeza de querer ficar por ali. Pela primeira vez nos ultimos dez dias parecia que ia chover. Era a estrada que já se despedia de nós , chorando pela falta que fariamos a ela. Voltariamos pra casa, mas partes do nossos corações ficaram ali pelos lugares que nos passearam.