Mostrando postagens com marcador urbano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador urbano. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Novidade

Parece me que teremos mais textos do #outrasruas  . Domingo saio em missão (haha) no Paraná , Argentina e Paraguai. Bora ?

segunda-feira, 14 de abril de 2014

La Isla #Outras Ruas

 
Gostei tanto de escrever sobre outras ruas, das minhas viagens Brasil à fora, que voltei a escrever sobre isso, Brasil à dentro, mais especificamente , no rio de janeiro, minha casa amada. Hoje escrevo um pouco sobre impresões que tive na minha ultima mochilada à ilha grande.Enjoy.
São seis da manhã ? não me lembro bem, sei que meu pai está aqui no ponto comigo, mataram um cara uns dias atrás aqui nesse ponto , nessa mesma hora. Ainda bem que o onibus chegou. Esquema whatsapp ajudou a reunir a galera num mesmo buso. Tranquilinho, o sol nasce perto da ambev, já estamos fora de Nova iguaçu. Uma senhora acordou a carol, que estava de boas dormindo e ocupando dois bancos do onibus, faltou educação da senhora, mas tudo bem, já estamos quase lá mesmo...
Viagem rápida até itaguai, descemos na rodoviaria, subimos num onibus rumo à mangaratiba. Onibus gelado, vazio e com senhoras legais que curtem uma cervejinha. Passamos na rampa de itaguai (rampa, aquilo não pode ser chamado de ponte). WOOOOOW , aquilo acordou a gente, pra ver o sol que já estava ardendo do lado de fora. Que paisagem maravilhosa, faz jus ao nome de costa verde. Não me lembrava que aquele lugar era tão bonito assim. Motorista rasgando estrada à dentro , mas mesmo assim estavamos atrasados.Onibus deixando na entrada da barca, momento "run forest,run". Nosso calouro rasgou o braço saindo do onibus. Bilhetes já comprados , entramos na barca sem maiores problemas.
Depois de uma hora e meia de pé , só vinha à minha mente a musica "dois barcos" , dos hermanos.Chegamos à terra firme, a ilha me lembrou muito Buzios, um lugar lindo , mas ainda mantendo um "que" de roots. Fomos ao campinng,onde a maioria eram de extrangeiros franceses e latinos. Barraca armada, coisas no lugar, vamos sondar o terreno. Visitamos uma exposição sobre a resistência da cultura negra na região da costa verde, tambores que resistem e ecoam através dos tempos refletindo a força do povo guerreiro. Sahy vive !
De lá , partimos pra praia preta, perto das ruinas do lazareto , um local onde ficavam retidas pessoas que chegassem ao brasil com alguma doença potencialmente contagiosa. Praia linda e acessivel à quem quiser chegar. Melhor opção pra quem quer vir de barca e não gastar dinheiro com um saveiro pra ir para outras praias, a unica dica que eu dou é levar um saquinho pra não deixar lixo na praia,nem levar garrafas de vidro (acho que é até proibido), de resto, tudo de boa . Lá em cima,perto das ruinas do aqueduto, o poção foi o refresco para nossa caminhada nesses 40º do RJ. Deu medo de ver as pessoas pulando de cima das rochas, mas tranquilo, a saude é deles , não minha.
Caminhamos de volta pro centro de Ilha grande, e fomos almoçar num lugar ali perto da igrejinha. Comida boa e com preço razoavel (em comparação com outros lugares na ilha). Compramos Coca Cola por um módico preço de QUINZE REAIS! compramos 3, faça as contas e comprove o prejuizo. Garçom um pouco incoveniente... tirando isso tudo bem. Descançada da boa, preguiça pós almoço, depois trilha tranquila para abraãozinho. Andando por dentro da ilha , a elitização do espaço é algo absurdo ,o contraste entre os hostels carissimos com estrutura de serviços precária na ilha é bizarro. Falta, na minha opinião, uma prefeitura em IG, quem sabe a emancipação... Muitos extrangeiros, turistas de outros estados... hostels e mais hostels . Che lagarto suites ? eu particularmente curto mais o che hostel...
já na trilha, natureza ! pés de jaca, aranhas e uma arvore gigantesca que se equilibra sobre uma rocha. Nessa hora , faz falta não ser um genio em geografia física.A praia do abraãozinho é uma coisa linda , tranquila pra criança , boa de relaxar, só cuidado com uns fragmentos de alguma construção que tem dentro do mar. Bater o pé ali, não é legal, experiência própria . Gratidão à Deus pela natureza, pela amizade e pela oportunidade. Voltamos pelo caminho que viemos. A aranha, dependurada na sua teia em meio a trilha, já não estava mais lá. Será que alguém bateu com a cabeça ali? torço para que não.
Banho rápido no Campinng , que era hora de trabalhar ( ou vocês acham que vida de geógrafo é essa molezinha toda ?) . Aplicação de questionários aos turistas e moradores, sobre impressões que estes tem da ilha. A coragem de denuncia das senhoras e o amor em suas palavras sobre aquele lugar me emocionam até agora . " Eu amo muito esse LUGAR , mas do jeito que tá , tem muita gente pensando em ir embora. Eu resisto , daqui ninguém me tira" . Memórias sobre a Quilombo das guerreiras, Milton Santos, O Ancap e a propriedade... tudo se misturava ali virando conhecimento . Já não era mais geografia, era falar de vida, amor e sentimentos espacializados.
Engraçado ouvir o turista inglês dizer que veio tão na treta quanto eu, "sofrendo" com a Imobilidade urbana fluminense .Viu em nós gente legal que poderia indicar um lugar "mais cheap" pra comer. Se tá ruim pra ele... Ouvir que a ilha tá cheia de pobre por causa da mobilidade também é triste. Doí, porque eu sou pobre, eu vim de barca e estar na ilha é direito meu ,de quem veio de taxiboat, de que veio de iate, de quem veio de helicóptero (sim, isso é normal por aqui) e direito , acima de tudo, de quem mora . Ser universitário, mesmo sendo pobre já te diferencia da maioria (na lógica do sujeito que soltou esta pérola). Nem me alonguei no assunto por que me dá até raiva de saber que tem gente que pensa assim, melhor deixar esse sujeito lá com o pensamento estreito dele , que eu tenho mais o que fazer.
A noite é legal,vejo muito mais turista do que morador na rua . fomos no centro comer pizza e fomos atendidos por Neymar... pizza boa e a coca cola com o mesmo preço : 15 conto. Triste, deve ser tabelado, pensei comigo mesmo. Dispensados , fomos num depósito chique para comprar algo pre beber. Comprei agua de coco de caixinha e a galera comprou a agua que passarin não bebe. Fomos para o cais, ficaram lá de boas conversando sacanagem , mas meu pudor não me deixou permanecer ali. Bem, não era só o pudor. Lá na pracinha tava rolando musica ao vivo. Fiquei no bar da frente com uma galera boa que deixou ficar na mesa com eles. Gente da PUC, tinha uma loirinha que estavam até com a blusa de um C.A ( acho que era filosofia), nem conversamos muito , por que toda musica tocada era cantada com entusiasmo por todos presentes. O guitarrista tem todo meu respeito e atenção enquanto tocava descalço fumando um cigarrinho enquanto fazia uma jam ...
Show acabou, voltei ao cais a galera continuava na conversa , um pouco mais alegres do que antes. Avisei que teria um forró lá na rua do bicão, mas ninguém se animou . Só uma amiga que concordou em ir comigo. Vou chamar de amiga pra não revelar a identidade, já já vão entender por que. Chegamos na porta do forró , já era meia noite e a festa tava muito ruim. Acho que custava 15 reais pra entrar, o preço de uma coca cola. Não. Não entrei, me lembrei do forró de são jorge que era de graça e estava muitos milhões de vezes mais animado que este. Lembrando que, nem estava tocando forró nesta festa.
Sentei com essa minha amiga na porta do lugar e ficamos conversando, quando de repente ela começa a passar muito mal ( muito obrigado cachaça! ) , querendo dormir. Morri de medo que ela desmaiasse ali, pois era o que parecia que iria acontecer. Varias pessoas pasando e olhando pra minha cara, pensando o que eu tava fazendo com aquela garota quase desmaiada ali. Com muito esforço e xingando ela , consegui que ela se levantasse e começamos a caminhar . Ela parou uns metros a frente para vomitar , fiz de tudo para que ela não caisse ou se engasgasse com o seu próprio vômito, que era o meu maior medo.
Sai carregando ela pelas ruas , agora escuras, do buganville, que fica do lado do nosso campinng tendo que ouvir varias frases escrotas de bebado... fiquei com muito medo mesmo,mas no final deu tudo certo. deixei ela na barraca dela e ela já caiu dormindo. Não demorou muito mais pra eu também cair dormindo na minha barraca, acalentado pelos turistas da frança que fumavam maconha (não permitida no campinng) e tocavam musica brasileira com o sotaque francês. Me lembrei muito do Zach Codon , da Beirut e dormi.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

AntiSoneto dos gostares e desgostares #naoépoesia

Das lágrimas no asfalto
Dos postes que já não choram luz
Dos espelhos dos prédios
Odeio os cinzas , amo os azuis

Dos sorrisos do cobrador da van
Das mesas do botequim
Do trem que eu fui sentado
Da roupa no manequim
Das tintas nas paredes

Das cores das pessoas Foram as coisas que gostei
Isso não é pra ser um soneto Por aqui findei.

#nãoépoesia

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Rolezinho : Por Um Cotidiano Menos Chato

                                  Não sei se é porque eu tenho muitos amigos que se identificam com causas sociais , que gostam de politica e que na maior parte são esquerdistas,mas nessa semana minha timeline no facebook tinha mais post sobre rolezinho do que sobre BBB . Fiquei de boas só observando opiniões,desde o inicio eu estava na page de criação do primeiro evento de rolezinho no facebook,observando as "discussões da logística" do evento. Como acho que captei a essência inicial do rolê (já que agora a bagunça é tão grande que temos de rolezinho gospel à rolê gay) tenho alguns achismos e questionamentos que gostaria de compartilhar (aviso, opiniões polêmicas à seguir).
                               Como já venho discutindo neste blog anteriormente , a rua tem seus usos diversos , mesmo estes usos sendo diferentes do seu propósito inicial ( a rua é para os carros). Estes , chamo de Multiusos do espaço único. A rua, bem ou mal, é um espaço publico e plural, enquanto o shopping na sua essência é um espaço que não suporta outros usos por ser segregador e seletivo ,e não acho isso de todo mal, digo isso pois diversos serviços chegaram no Brasil justamente por causa dos shoppings e de seu caráter segregador e exclusivista, prova disso são os outlets e os "saves day" como o ponto mix e o polêmico black friday, que inicialmente surgiram para satisfazer as necessidades do consumidor de shopping e depois se expandiram para o comércio popular. Quem me conhece sabe que meus nikes são todos de outlet,por isso não me sinto tão burguês ao usar meu nike flyknit supreme hehe.
                             O shopping se caracteriza como propriedade privada , que por direito se abre ao publico, e assim é livre o acesso, mas , diferente da rua e por ser propriedade privada , não tem a menor responsabilidade de se abrir à qualquer tipo de manifestação dentro dele. Você pode convidar as pessoas para entrar na sua casa,deixar sua home sweet home aberta à entrada de todos. Isso te tira o direito de pedir que as pessoas não ponham os pés na parede, ou que não fiquem pulando no sofá ? não ,pois você permitiu a entrada , mas não coletivizou a posse e o direito da/na propriedade. Se os shopping fossem feitos pelo governo e independentes em 100% do capital de fundos privados dos grupos empresariais multinacionais que gerem os shoppings brasileiros (coisa que eu acho inviável) você poderia frequentá-los até pelado. Fora isso, infelizmente, temos que se contentar em respeitar o micro poder capitalista dos shoppings.
                            Outra coisa que me incomodou muito foi ver meus amigos da esquerda intelectual querendo levantar bandeira de vanguarda perante esse movimento de rolezinho. Acho isso mó babaquice, desta maneira , acabam por nunca deixar o papel de protagonismo na luta social nas mãos dos mais pobres, que na minha humilde opinião não marxista , deveriam ser os atores principais nesse processo por serem os maiores interessados em mudanças (em um sentido não partidário) e assim continuamos perpetuando a máxima de que "toda revolta é popular,toda revolução é burguesa". Vimos o grande "nada" em que deu os protestos de julho, ainda mais depois do esvaziamento dos discursos. Os 20 centavos já estão voltando à passagem (um amigo meu tem uma "teoria da conspiração" sobre isso, que devo explanar um dia desses), a corrupção não parou, e sim, teremos copa. Quem estava lá à frente de tudo isso ? a esquerda intelectual e partidarista ,paradoxalmente promovendo (ou tentando promover) aquilo que eles mais odeiam : a massa de manobra. Deu merda ! E o que ganhamos foi só mais gente chata se dizendo marxista sem ter nem lido/entendido o mísero manifesto do barbudo bêbado.
                          Achei o protesto que rolou lá no pé da rocinha bem mais politico que qualquer outra marcha partidária. Foi a manifestação mais pura de politica popular que eu já vi. Eram os afetados falando por eles mesmo , sem interlocutores e de sua própria maneira. Sobre suas reais demandas,tristezas e sentimentos. O pobre, falando do pobre por saber como é ser pobre . Sinto que o povo cansou dos partidos, cansou da forma de governo e estado vigente. Cansou de vender sua voz e iniciativa por uma bolsa qualquer coisa.O povo viu a direita governar e odiou, viu a dita eterna esquerda governar , teve algum beneficio ,mas diante dos escândalos partidários e da sucateação do viver tem passado à odiar esta também. O que fazer ? falar por nós mesmos !
                          Esses intelectuais orgânicos são muito engraçados. Parece que estão buscando sempre uma tese para trabalho de conclusão de curso de ciências sociais. A prática da complexificação intelectual do rolê me fez rir. É gente falando que é a essência da luta de classes, que tem a ver com bakunin , que um filósofo russo-otomano vem explicar isso pela retórica rolezistica-roterdâniana- proto-capitalistica-pós-modernista de slavoj zizek-chauí. Uma pergunta fácil : O cara lá que quer "zoar-curtir-dá uns beijo" está realmente preocupado com isso ? Nem vou responder, pois meus leitores são espertos e já sabem a resposta. Parece que esse povo de universidade acha que os comportamentos humanos tem sempre que estar relacionados à uma teoria sociopolítica. Antes de marx como as pessoas conseguiam viver sem a dita explicação do barbudo para tudo então ? É obvio que não posso ser ignorante o suficiente para dizer que o viver não é influenciado diretamente por fatores externos de cunho politico e social, mas será que é realmente necessário complexificar tudo ? será que as pessoas não conseguem mais "ser" sem que tenha algo que venha obrigatoriamente explicar sua postura ? Será que a complexificação não é só uma coisa que está nas nossas cabeças já massacradas e calejadas pelo sistema universitário ? SERÁ QUE A INTENÇÃO DO ROLÊ NÃO É SÓ CURTIR MESMO ? sério, parem com isso. Vocês estão deixando o viver muito chato.
                          Meu coração impregnado por ideias marxistas ,compromissado com causas populares , mas ainda crítico ,ainda não processou ao certo tanta informação, e provavelmente não chegarei à nenhuma coisa concreta agora . posso mais à frente mudar de opinião , me impregnar pelos valores complexificatórios e sair complexificando a merda toda, e me tornando o tipo de chato que tanto critiquei ,ou não. Humildemente encerro aqui minhas questões e achismos, não significa que estou certo, mas sei que há alguma coerência nas minhas ideias. Aos meus amigos que se identificaram com a causa , deixo-vos o mesmo conselho que um cara lá da FFLCH da USP deu : quer ir ,vá , mas não vá esquerdar. A Rua é complexa, tão complexa que sua complexificação universitária (esquerdista ou não) não vale absolutamente nada.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Dizia Ele, Estou Indo Pra Brasilia #outrasruas

Minas é gigante ! muito maior que no mapa de mercator. A unica coisa que me consolou foi que bebi café de graça e compraram um cigarro feito de especiarias do cerrado muito cheiroso. Só isso que comentarei de minas,já que quase não fiquei por lá. Chegar a brasilia é um negócio esquisito, paisagem muito repetida,é como uma cidade feita num deserto.Parece que estamos em algum lugar proximo à strip de GTAsan andreas. Uma coisa muito esquisita. As pixações eram lindas, grandes e ocupavam toda a periferia.Uma reta infinita, que nervoso ! A parte rica também era muito parecida, uns condominios com entradas muito iguais, casas chiques , hilluxes, frontiers,corollas. Deve ser da galera do governo, pensava eu.
 Depois , mas proximos da esplanada dos ministérios muitos apartamentos , bairros quadrados. é muito esquisito uma cidade planejada assim, me senti como se estivesse no japão, a beira de um terremoto. Ainda não sabiamos, mas estavamos bem proximos de algo sinistro. Num restaurante ali pela 110/109 da asa sul , cheiro bom de comida,mas uma fila chata pra entrar. Um helicoptero da policia extremamente baixo e policiais estavam passando por solo. Era 7 de setembro, jogo do brasil x inglaterra, mas na minha cabeça parecia blackblock x policia. O gigante tava querendo acordar por ali . Entramos, mas almoçamos numa tensão filha da mãe. Almoço bom,recarregar o celular,noticias à familia, senti falta da batata frita.
Andamos de onibus, o shopping de brasilia é lindo. Uma ode ao capitalismo . O plano piloto é lindo,só que é feito pra afastar as pessoas. Paramos pra fazer uma medição perto da rodoviaria do plano piloto. Levantei o barometro e do nada o helicoptero subiu. Tiro porrada e bomba e ia sobrar pra gente. Cade os manifestantes ? vi umas pessoas lá passando e sendo abordadas, gente correndo das bombas , só vi a policia apontando arma letal pra gente parar na rua. Estavamos dento do onibus à muito tempo só observando quão barbara era a covardia da policia estatal. Policia ,se não para defender as pessoas,não serve mais pra nada.
Fomos de onibus pro congresso. aquilo é um absurdo de grande, Brasilia era maior que o onibus escrotamente grande da rural.Brasilia quente até sem sol, o eixão monumental é lindo, niemeyer é um genio, mesmo sendo comunista. Comunista?.O eixo foi feito pras pessoas ? acho que não. Gramado do congresso, seguranças pra caramba, o #ruralblock estava chegando ! carros do choque vindo lá da rodoferroviaria ,muitos seguranças chegando, muitos mesmo ! ai como eu tô bandida ! se esses seguranças defendessem o povo... seria uma benção. Estavamos ali no amor, um amigo nosso é fotografo da EBC, estavamos ali graças à verbas federais, eramos de uma Federal... obvio que não amamos o governo ,mas estavamos ali justamente por causa dele . Fucking walking paradox. Saimos deste caos chamado bsb,por do sol no paranoá visto da janela do onibus. violão no fundo do onibus por dentro da estrada escura e empoeirada

O Santo Guerreiro Do Cerrado : Nas Ruas De São Jorge #outrasruas

                           Tudo escuro. poeira e mais poeira entrando por todos os cantos do ônibus. Eu conversando com Barbara sobre casamento e casa, lá atrás o violão já tava um tédio. Cilada maior que a de bino é ser motorista da Rural. Só de zuera eu passei o dedo na poeira da estrada e marquei de vermelho-poeira o aviso que dizia "proibido passar em estrada de terra" hahaha. agora era tarde. Lá na frente uma luz pequena , um carro ? um dos milhares de jeeps que passavam por ali vindo ou indo à Brasilia ? não , era a salvação ! no meio do escuro surgia o vilarejo de S.Jorge. Os zoeiros de plantão gritavam "salve jorge" pela tamanha satisfação que era chegar à um pouso. afinal, já eram quase 24 horas dentro de um onibus.
                          O onibus da rural é uma coisa tão grande que chega a ser escroto entrar num vilarejo assim tão pequeno. Paramos a vida pacata local com nosso gigante de prata, mas mesmo com toda a aura mistica e naturalista ao redor daquele lugar não fomos alvo de olhares acusadores , como se aquele não fosse nosso lugar por causa de nossa "cara de turista" , mas fomos recebidos com acenos e sorrisos. Que lugar roots ! descemos do onibus. Tivemos um pouco de dificuldade para parar ele em algum lugar , mas deixamos proximo à praça principal dali. Comida caseira , senhora simpática . Melhor que o restaurante de brasília.
                        Jantar pago, seguimos com as tralhas para nosso campinng . Ouvi o Emerson dizer que era por ali, no meio do escuro. Viramos à direita e o caminho de velas surgia no meio da noite escura, porem estrelada, do coração do pais. Barracas armadas, fila pra tomar banho nos unicos 2 banheiros do campinng, as gracinhas da pequena filha do dono campinng, criança sortuda de ter nascido em um lugar tão abençoado por Deus e bonito por natureza.Uma mesa de madeira, Daft Punk no rádio dizendo que "we up all nigth toget lucky". Vamos pro forró dali ?
                       Comentários escrotos sobre como a qualquer momento um estuprador poderia sair daquele mato,era a camila que estava comigo ? acho que sim . À porta do forro, ficamos meio " e ai , é só sair entrando ?" estava tão escrito na nossa cara isso que os próprios "seguranças" falara para entrarmos e ficarmos à vontade. Pinturas nas paredes, um dj tocando forro ,que de 10 musicas eu conhecia 1/2 música.Muita mulher bonita, não gostosa, bonita mesmo, encantadoras . tinha uns caras bem bonitos também, gente simpática , provavelmente da UnB, Ah, e o "povo que veio do rio" .
                     Eu naquele dia tive a plena certeza de que não sei dançar forró, ainda bem que camila é compreensiva e estava tentando me ensinar, mas ela também sabia pouco e já estava ficando "alegre". Professores dançando, inventando passos, conversando de coisas para além da graduação, afinal, isso também é aprender. Um dragão caindo do teto, o mezanino onde tinha "charuto", um cheiro de perfume importado,paz e amor, "isso é coisa feia".Que noite linda.
                    Não sei que horas eram , mas combinamos de voltar. carreguei alguém nas costas , fizemos bagunça na rua , tanta bagunça que uma galera legal se aproximou de nós e perguntou se o onibus era o nosso. Sim. "Vocês fazem geografia né ? " sem saber como eles sabiam respondemos que sim; eram nossos irmãos de geografia lá da UnB. Risadas, referencias , convites ao bar. "vamos pra queda de 80mts amanhã", "então é melhor vocês dormirem" , recomendaram-nos e despediram-se com o isquero que lhes dei de presente. As ultimas conversas, bebados na minha barraca. Boa noite. E logo após o dia se acendeu.

Carol #outrasruas

                              Dormi em goiás ,acordei em tocantins . Ainda no onibus,e foi nele que passei boa parte do dia.Café no posto de gasolina e a noticia de que champignon tinha morrido. Internet que já não via a dias pra falar com a mãe e dar noticias de amigos.Conheciamos um personagem do norte : Pipes, o Eike Batista do Maranhão. História bonita pra alcançar um patrimonio invejavel.Balsa gigante, onde cabia o nosso onibus e um monte de outros carros, um cara vendendo dvd , o motorista comprou um mp3 de coletanea,que a primeira musica era "sobreo mesmo chão". Deus esteja ! Atravessamos o rio e foi a primeira vez que vi carolina,rápido,mas vi.nem sei se é domingo ou segunda... sei que não via quase ninguem na rua. Um almoço no caminho : arroz,farofa de milharina carne de sol e feijão mulatinho.Correria pra voltar pro onibus. Estrada de asfalto cortando a chapada das mesas. Uma abertura na rocha que tinha a forma do estado do tocantins.
                             Chegamos à dominios de pipes Pedra caida, mosquitos, gente caindo da plataforma, risadas, tá tudo bem. A partir daqui descida, descida e mais descida. Um guia nos levava enquanto mostrava o enorme resort que era construido ali dentro. Fiquei num misto de "vai ficar lindo" com " vão destruir a natureza" . Quero que minha lua de mel com Daniella seja aqui, independente do que aconteça. Descida. Lá no fundo da fenda feita por Deus viamos que a descida valeu a pena. Queda d'agua gelada lavando a alma. Deixamos nossas coisas no meio do mato: aqui não tem com o que se preocupar, para onde vamos não é nescessário levar essas coisas materiais. Começava ali nossa experiência de mistura, nos misturamos com a natureza até sermos um só.
                               Caminhada no meio da fenda ,ora rasa, ora funda. Meu celular na mão enrolado num saco plástico, o medo de deixar a agua entrar ali, só tinha pago 3 prestações das casa bahia. Senti o vento no meio do vale ficar cada vez mais forte a medida que andavamos , foi então que eu vi o santuario. Perfeito o nome deste lugar, enxerguei Deus ali na minha frente . Mesmo sendo geografo não sei do que chamar aquele lugar,talvez fosse uma caverna que o teto desabou, sei que caia muita agua de cima com muita força e isso fazia o vento que sentiamos ali. Agradeci à Deus e mergulhei de encontro com o fundo de pedra daquela caverna.
                         Fiquei muito emocionado, não sei se chorei porque era tanta agua e vento que minhas lagrimas provavelmente eram sopradas instantaneamente.Os celulares ficarm numa fenda na rocha, não era momento deles. A vida fez questão de estragar todas fotos daquele lugar : era um lugar pra ser sentido, não explicado por um mero recorte do real. Palmas, sorrisos e gratidão por essa experiência. Saimos, mas sem deixar de atravessar a ponte . Pulamos , sorrimos e a ponte balançava para o terror dos que tem medo de altura.Dá pra desligar esse relógio cara ? tudo o que não precisamos é que o tempo passe.
                       Voltamos e pela segunda vez vi carolina.Era pequena, mas era linda. Ficamos no Rilton Hotel, finalmente uma cama depois de tantos dias dormindo no onibus e no chão da barraca. Banho. Vamos de role pela rua ? Fotografia, uma nex f3 é boa pra fazer fotos assim, na rua , no escuro. Fatos históricos, a capsula do tempo ,ruas simpáticas . Aquele cara deve vender maconha, e vendia mesmo ! não que eu tenha comprado, mas que vendia vendia.O final da rua era o rio. Na praça tinha uma igreja, não entrei mas respeito. Liberados ! uma praça muito legal , com três lanchonetes. Ficamos com a pizza, uma das melhores que comi na vida por sinal.
                      Vagamos pela cidade e chegamos a uma duvida : carolina tem linhas de ônibus? pelo tempo que estive lá , não vi. Pessoas na frente de casa, um calor filha da mãe associado aos mosquitos. Tédio dentro do hotel. Ficamos lá na esquina vendo o movimento. Sentamos na calçada de uma casa que nem sabemos de quem é. Uma cena esquisita : uma garota entrou de moto em casa e estacionou na sala (!?) Rimos, encostei na cama e instantaneamente dormi.Um tempo depois ouvi Dotty falando que já tava na hora. Não botei fé. tempo depois, mais gente chamando lá no quarto : estava atrasado ! Café rápido, entrar no onibus atrasado com a chave do quarto,voltar na recepção. Vergonha, mas tudo bem. fé em Deus e Pé na estrada. Fiquei ,sem querer, com

Uma Passagem : Memórias Curtas Sobre A Estrada #outrasruas

                         Barca voltando,Dotty comprou o Dvd do Sambô e um de forró. Preconceito contra o sambô, bom mesmo é Pink Floyd.Não pra mim. Sinuca na casa rosa no meio da chapada das mesas. Estradão bonito do cacete ! Uma picape alugada pra entrar no Monumento das Arvores fossilizadas. Arizona brasileiro ! milhões de anos de história nos rodeavam em forma de pequenos pedaços das eras. Calor , muito calor. Minério de ferro deixando o chão vermelho, era ferro puro. Picape lotada , Mauro fez chover . Onibus, uma pequena cidade surgiu , vamos almoçar. Carne de porco com pelo, não gosto disso... Sorvete pra compensar a carne que não comi. Sorvete muito barato , lojinhas que vendiam coisas rurais, Uma garrafa com feijão trepa pau de várias cores , 8 reais. Valia a pena. Uma galera foi almoçar numa borracharia (!?).Dormi no onibus com o gosto do sorvete na boca,acordei com o gosto da poeira. Em algum lugar no meio do escuro rumo à itacajá.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Histórias E Bicicletas : Resistência, mapeamento, treta e muito amor.

Eu tô aqui brincando , mas não é sobre o belíssimo CD do Oficina G3,um dos grandes nomes do rock nacional . É sobre eu,sobre minhas bicicletas e sobre nossa passagem pela cidade Eu com 5 anos chorei ,briguei ,chorei mais e meu pai me deu uma bicicleta do Seninha ,e ai começou a minha experiência de liberdade . Eu menino que morava no morro,começava aos poucos a ir pro asfalto andar de bicicleta . Era na minha própria rua,mas era um avanço enorme. Supervisionado pelo meu pai , eu tinha meu primeiro contato com a rua: seus cuidados , seus truques, e ainda pequeno me perguntava o por que de todos esses meninos não terem uma bicicleta como eu. Eu sempre emprestava a bike para eles. Foi assim que eu perdi a minha primeira bike
Anos se passaram , eu cresci, e a minha bicicleta cresceu. Minha mãe queria que eu ficasse só na minha rua. Estava só, ma ainda era a minha rua. Quase apanhei quando vizinhos fofoqueiros foram contar para a minha mãe que eu andava pela rua de trás, que segundo a minha mãe "só tem maconheiro". Como castigo ,ela me fez ir num mercado que ficava em outro bairro. Eu ,desacostumado a andar só, fui cheio de medo . Foi o melhor castigo que ela pode me dar.
E pouco a pouco eu indo ao mercado descobria outros caminhos ,galeras , os "bondes da bike" , a cidade. Não havia medos,e os limites se ampliavam. O limite era a força e resistência durante o pedalar. Bairros ,ruas,municípios, eu rodava e ia mapeando : onde ir, onde não ir, os brechós(que ainda são um vicio), as padarias pelo tipo de pão que vendiam e todos os caminhos que levem à roma , ou à Dutra.
Chegou a um ponto em que todos os dias eu invadia o urbano montado na minha poti. Se eu sempre conhecia o pobre , passei a ver os dois lados. A transformação da paisagem no trajeto da minha casa ao centro era gritante ( e olha que eu morava no bairro da luz, que é "quase centro") . "por que essa paisagem ?"me perguntava enquanto mergulhava no bowl da mítica praça do skate.
Se hoje penso e faço dialética na rua, se hoje penso o espaço, se hoje faço geografia , é por causa de uma bicicleta Senninha que ganhei tempos atrás. Este texto é dedicado aos meninos e meninas , que como eu , invadem o urbano e subvertem a lógica do transporte , seja por necessidade ou por pura diversão, montados em uma poti ,ou em uma cross... Nossa simples existência e pedalar modificam o urbano. Nós somos a cidade sobre duas rodas, impulsionados pela força da rua.