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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Rolezinho : Por Um Cotidiano Menos Chato

                                  Não sei se é porque eu tenho muitos amigos que se identificam com causas sociais , que gostam de politica e que na maior parte são esquerdistas,mas nessa semana minha timeline no facebook tinha mais post sobre rolezinho do que sobre BBB . Fiquei de boas só observando opiniões,desde o inicio eu estava na page de criação do primeiro evento de rolezinho no facebook,observando as "discussões da logística" do evento. Como acho que captei a essência inicial do rolê (já que agora a bagunça é tão grande que temos de rolezinho gospel à rolê gay) tenho alguns achismos e questionamentos que gostaria de compartilhar (aviso, opiniões polêmicas à seguir).
                               Como já venho discutindo neste blog anteriormente , a rua tem seus usos diversos , mesmo estes usos sendo diferentes do seu propósito inicial ( a rua é para os carros). Estes , chamo de Multiusos do espaço único. A rua, bem ou mal, é um espaço publico e plural, enquanto o shopping na sua essência é um espaço que não suporta outros usos por ser segregador e seletivo ,e não acho isso de todo mal, digo isso pois diversos serviços chegaram no Brasil justamente por causa dos shoppings e de seu caráter segregador e exclusivista, prova disso são os outlets e os "saves day" como o ponto mix e o polêmico black friday, que inicialmente surgiram para satisfazer as necessidades do consumidor de shopping e depois se expandiram para o comércio popular. Quem me conhece sabe que meus nikes são todos de outlet,por isso não me sinto tão burguês ao usar meu nike flyknit supreme hehe.
                             O shopping se caracteriza como propriedade privada , que por direito se abre ao publico, e assim é livre o acesso, mas , diferente da rua e por ser propriedade privada , não tem a menor responsabilidade de se abrir à qualquer tipo de manifestação dentro dele. Você pode convidar as pessoas para entrar na sua casa,deixar sua home sweet home aberta à entrada de todos. Isso te tira o direito de pedir que as pessoas não ponham os pés na parede, ou que não fiquem pulando no sofá ? não ,pois você permitiu a entrada , mas não coletivizou a posse e o direito da/na propriedade. Se os shopping fossem feitos pelo governo e independentes em 100% do capital de fundos privados dos grupos empresariais multinacionais que gerem os shoppings brasileiros (coisa que eu acho inviável) você poderia frequentá-los até pelado. Fora isso, infelizmente, temos que se contentar em respeitar o micro poder capitalista dos shoppings.
                            Outra coisa que me incomodou muito foi ver meus amigos da esquerda intelectual querendo levantar bandeira de vanguarda perante esse movimento de rolezinho. Acho isso mó babaquice, desta maneira , acabam por nunca deixar o papel de protagonismo na luta social nas mãos dos mais pobres, que na minha humilde opinião não marxista , deveriam ser os atores principais nesse processo por serem os maiores interessados em mudanças (em um sentido não partidário) e assim continuamos perpetuando a máxima de que "toda revolta é popular,toda revolução é burguesa". Vimos o grande "nada" em que deu os protestos de julho, ainda mais depois do esvaziamento dos discursos. Os 20 centavos já estão voltando à passagem (um amigo meu tem uma "teoria da conspiração" sobre isso, que devo explanar um dia desses), a corrupção não parou, e sim, teremos copa. Quem estava lá à frente de tudo isso ? a esquerda intelectual e partidarista ,paradoxalmente promovendo (ou tentando promover) aquilo que eles mais odeiam : a massa de manobra. Deu merda ! E o que ganhamos foi só mais gente chata se dizendo marxista sem ter nem lido/entendido o mísero manifesto do barbudo bêbado.
                          Achei o protesto que rolou lá no pé da rocinha bem mais politico que qualquer outra marcha partidária. Foi a manifestação mais pura de politica popular que eu já vi. Eram os afetados falando por eles mesmo , sem interlocutores e de sua própria maneira. Sobre suas reais demandas,tristezas e sentimentos. O pobre, falando do pobre por saber como é ser pobre . Sinto que o povo cansou dos partidos, cansou da forma de governo e estado vigente. Cansou de vender sua voz e iniciativa por uma bolsa qualquer coisa.O povo viu a direita governar e odiou, viu a dita eterna esquerda governar , teve algum beneficio ,mas diante dos escândalos partidários e da sucateação do viver tem passado à odiar esta também. O que fazer ? falar por nós mesmos !
                          Esses intelectuais orgânicos são muito engraçados. Parece que estão buscando sempre uma tese para trabalho de conclusão de curso de ciências sociais. A prática da complexificação intelectual do rolê me fez rir. É gente falando que é a essência da luta de classes, que tem a ver com bakunin , que um filósofo russo-otomano vem explicar isso pela retórica rolezistica-roterdâniana- proto-capitalistica-pós-modernista de slavoj zizek-chauí. Uma pergunta fácil : O cara lá que quer "zoar-curtir-dá uns beijo" está realmente preocupado com isso ? Nem vou responder, pois meus leitores são espertos e já sabem a resposta. Parece que esse povo de universidade acha que os comportamentos humanos tem sempre que estar relacionados à uma teoria sociopolítica. Antes de marx como as pessoas conseguiam viver sem a dita explicação do barbudo para tudo então ? É obvio que não posso ser ignorante o suficiente para dizer que o viver não é influenciado diretamente por fatores externos de cunho politico e social, mas será que é realmente necessário complexificar tudo ? será que as pessoas não conseguem mais "ser" sem que tenha algo que venha obrigatoriamente explicar sua postura ? Será que a complexificação não é só uma coisa que está nas nossas cabeças já massacradas e calejadas pelo sistema universitário ? SERÁ QUE A INTENÇÃO DO ROLÊ NÃO É SÓ CURTIR MESMO ? sério, parem com isso. Vocês estão deixando o viver muito chato.
                          Meu coração impregnado por ideias marxistas ,compromissado com causas populares , mas ainda crítico ,ainda não processou ao certo tanta informação, e provavelmente não chegarei à nenhuma coisa concreta agora . posso mais à frente mudar de opinião , me impregnar pelos valores complexificatórios e sair complexificando a merda toda, e me tornando o tipo de chato que tanto critiquei ,ou não. Humildemente encerro aqui minhas questões e achismos, não significa que estou certo, mas sei que há alguma coerência nas minhas ideias. Aos meus amigos que se identificaram com a causa , deixo-vos o mesmo conselho que um cara lá da FFLCH da USP deu : quer ir ,vá , mas não vá esquerdar. A Rua é complexa, tão complexa que sua complexificação universitária (esquerdista ou não) não vale absolutamente nada.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Emanuel : O Rei Que Nasceu No Suburbio

Era uma manhã de quarta feira, um choro se ouvia num cantão qualquer desses ai do suburbio, segundo meu pai,era em madureira. Um neguinho vinha ao mundo , nascido nos fundos de uma oficina de bicicleta. Seu pai nem sabia se era seu filho legítimo, mas os olhos negros e profundos desse pirralho eram encantadores. Neles zé enxergava toda sua vida e sua infância. "DNA pra que ? tenho amor, isso basta!" dizia zé com seu filho no colo. Sabendo desse flamenguista que nascia , uns manos de outras quebradas vieram lhe ver. O mundo não sabia, mas esse menó era especial. Um veio em pé num Japeri lotado lá da baixada, o outro aproveitou o riocard da empresa que trabalhava e veio de busão lá do Gardenia Azul. O outro veio lá de São Gonça . De longe, mas valia a pena. Um trouxe um cordão de ouro , o outro trouxe um 212 carolina herrera pra ele usar quando fosse mais velho e o outro trouxe uma garrafada de agrião com saião, pra deixar o pulmão de menino forte. Não que este menino precisasse desses presentes, mas os presentes foram de coração. O menino crescia em graça e sabedoria, jogava bola, torcia pelo flamengo.Era tão inteligente que ia pouco a escola.Achava tudo muito chato. Achava mais legal ficar na marcenaria de seu zé , que mesmo quase analfabeto , era um homem sábio. Certo dia , numa roda de rima lá em Vila Isabel, o menor chegou no meio dos sábios da rima e começou a disparar varias verdades rimadas. O menino era um talento nato ! Era algo divino sua habilidade com as palavras , que além de muito bem encaixadas , traziam verdades e emocionavam as pessoas. Falava de amor, de fé e de diversas outras coisas. Era dificil desse cara perder uma batalha. O menino cresceu e se tornou MC . Onde esse MC se apresentava , juntava gente, que saiam de suas apresentações muito felizes e inspirados à serem melhores pessoas . Há quem diga que ao encontrar esse cara se sentiam melhores de suas dores nas costas, e doentes que ouviam suas palavras melhoravam rápidamente. Multidões seguiam curtindo seu funk . Era tanta fama que quando ele visitou a CDD (numa moto emprestada,diga se de passagem) todos iam pras janelas pra saudar ele . Tinha muito conceito em todos os morros e favelas do Rio,por isso era chamado de "o rei das favelas" . Tinha amigos esquisitos,conversava com os cracudos, era amigo de caras envolvidos com o governo do Cabral ,policiais de UPP , gente que já foi envolvida com prostituição, e tratava esses (que a sociedade desprezava) como gente da familia. Não que ele fosse a favor dessas práticas , mas ele amava as pessoas, não o que elas faziam. Mas isso causava inveja. Outros MCs ,que só cantavam proibidões e só faziam funk pelo dinheiro odiavam esse meu amigo .Tanto que tramaram entre eles de juntar um bonde financiado pelo tráfico pra quebrar nosso MC . Ele tava lá de boa com uns amigos no morro , quando o carro preto passou lá . Um amigo dele meteu bala pra cima dos caras, mas nosso MC pediu calma e deixou que lhe levassem dali. Num tribunal entre eles, por voto unanime resolveram que iam matar ele, e liberar um traficante chamado "Barra", que era lá da Zona Oeste . O menino de madureira apanhou igual tambor de macumba. Enquanto riam e zombavam dele , os soldados do tráfico cuspiam e o chamavam dos piores nomes possiveis. Bateram demais nele, deram tiros nas mãos e nos pés e o desovaram lá pras bandas de Caxias, junto com uns dois ladrõezinhos que tavam roubando na comunidade. Os familiares e amigos encontraram nosso MC quase morto , e um amigo rico decidiu levar o corpo em coma lá pro Barra D'or. Os médicos deixaram ele nos aparelhos, mas era visto como morto. A esperança ia se esvaindo de todos , e a tristeza tomava conta dos suburbios cariocas, onde já existia até fã clube dele. Amigos reunidos choravam a quase certa morte do MC. Sua amiga que foi prostituta e outra amiga foram visitar ele no hospital. esperaram,mas na hora da visita foram avisadas que ele tinha tido alta e ido embora, mas esqueceram de avisar à familia.Elas estranharam e voltaram pra casa. Ele pegou um taxi rumo ao subúrbio e o taxista veio falando de letras de um MC que era tido como morto , e que todo o suburbio ,de Madureira à Pavuna chorava a dita morte dele. Ele não reconheceu seu ilustre passageiro, que tava com um holbrook na cara , um pouco mais magro e com uma barba pra fazer (coisa rara de se ver). O taxi encostou na casa onde seus amigos estavam . O taxista ficou tão alegre com a conversa que até esqueceu de cobrar a viagem. O Mc entrou na casa sem fazer barulho , chegou na sala e disse " fala galera ! tudo em paz ?" e os amigos se assustaram e chegaram a achar que era um fantasma. Mc TOM, que estava lá não acreditou e pediu pra tocar nele , pra ver se era verdade , ao pegar sua mão e ver as marcas dos tiros que deram nelas , ele acreditou ! Seu amigo estava vivo ali na sua frente ! Todos se abraçaram e combinaram no outro dia de ir pra Barra de Guaratiba comemorar a melhora de seu amigo. Mas ele tava cheio de fome , e decidiram fazer um churras ali mesmo pra comemorar. No outro dia, foram pescar em Barra de Guaratiba, como combinado. Na volta, num campinho de terra onde certa vez fez teste pro flamengo , nosso MC disse algumas palavras de encorajamento à seus amigos e à uma galera que estava por ali, e do nada , enquanto conversavam, um helicóptero veio descendo e jogou uma escada. E ele subiu na escada e entrou no helicóptero. E os amigos perguntaram " pra onde tu vai parceiro " , e ele sorrindo, em meio a todo aquele barulho das hélices, dizia " vou fazer uma viajem, mas já já volto, espalhem meu funk por ai, sejam bons . muito amor !" O helicoptero subiu , subiu e se perdeu no horizonte carioca. Sua musica se espalhou por todo o mundo , e ele se tornou referencia pra muita gente boa por ai... Esse menino nasceu , como muitos outros meninos nascem , na pobreza , na miseria e de condições não muito aceitas socialmente. Não nasceu branco , não estudou em boas escolas, mas sua essência inspirou vidas de muitas outras pessoas. Foi mal entendido por amar a vida , amar a vida dos outros, amar a verdade. Hoje ,na favela, graças à esse cara , todo menino pode acreditar que pode mudar de vida, mudar vidas , mudar o mundo. Se foi, mas suas letras e palavras (independente das criticas) continuaram e continuarão inspirando vidas como a minha. Um salve pro meu mano MC JotaCê ,Feliz aniversário ! esperamos ansiosos por sua volta meu parceiro!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Zumbi Vive !

                      Ai você me pergunta : quem é você pra dizer isso ? Bom , eu sou negro. Talvez isso já seja o bastante, mas para os amiguinhos que continuam nessa de se perguntar deixo um lembrete : não sou dono da verdade absoluta, alias ,acho que esta não existe em meios humanos. Na MINHA visão de menino que anda , ouve e sente por ai, ouso dizer onde zumbi ainda vive para mim.
                     Zumbi vive na favela, que apesar dos pesares resiste e se expande a cada dia, digo tanto de suas extensões territoriais quanto da extensão de seu territórios culturais . Zumbi sobrevive nas pequenas subversões geradas nesse espaço que zombam,mixam e remixam a forma de pensar/fazer unica , no não caber da cultura popular no mainstream e , ao mesmo tempo, do usufruir de todo o aparato técnico dado pelo mundo globalizado, ou como diria  Miltão,
"a emergência de uma cultura popular que se serve dos meios técnicos antes exclusivos da cultura de massaspermitindo-lhe exercer sobre esta última uma verdadeira revanche ou vingança."
                    Zumbi vive no candomblé ,obviamente, pela resistência de seus tambores e de seus ritos. Mistérios vindos de além mar  e enraizados aqui. Zumbi vive ,não tão obviamente, no canto negro dos choirs , que rememoram de sua forma o blues e outros ritmos negros (que quase não são lembrados como tal porque foram aclamados pela critica e deram origem ao rock) oriundos dos chain gangs de uma escravidão de outro lugar . Continuamos presos pela mesma corrente.Zumbi vive no Funk , que mesmo sendo "som de preto e de favelado" quando toca , ninguém fica parado. Resiste a critica , se reinventa a cada ano e não se perde.
                    Zumbi não vive em alguns "movimentos negros "que se dizem porta vozes da minoria (minoria?) negra mas que na verdade só usam do discurso racial para levantar votos para partidos que eu ,sinceramente,não acredito que vão fazer alguma coisa palpavel pelos negros do Brasil, alias, eu não acredito mais em partidos à muito tempo. E logo a esquerda , que se diz tão contra a ideia da "massa de manobra" vive a fazer isso apoiados nas costas do povo preto . Zumbi não vive na exotização da cultura negra nem na safarização da favela e da cultura do favelado,Zumbi vive no respeito ! Tenho minhas duvidas se Zumbi vive nas cotas , acho que se ele estivesse vivo lutaria por educação de qualidade e acessível , ainda mais sabendo que , se podemos passar um remédio na ferida , por que então só colocamos um band aid ? Mas acredito que também vive em todos aqueles que não podiam estar na universidade e hoje estão.Nestes Zumbi vive.
                  Zumbi vive quando se fala de Joaquim Barbosa, Milton Santos, Lima Barreto,Manuel Querino,Luís Gama... Zumbi vive em mim e em outras duzias de meninos que mesmo tendo tudo para dar errado deram certo por puro heroísmo e vontade de passar por cima dos obstáculos , que parecem ser feitos para o negro e pra aqueles que ,como diria Caê, de tão pobres ,são negros.Zumbi vive em meu pai, e no pai dele , que mesmo não tendo grandes estudos e grandes oportunidades foram homens honestos e trabalhadores, caras que souberam dar valor a cultura negra .
                 Meu avô do samba ,negro, pobre,nordestino , sofreu todo o tipo de preconceito , teve todo o tipo de chance para entrar pra vagabundagem, mas foi o verdadeiro malandro e criou homens de carater , esfregando , mais uma vez na cara da sociedade que cor da pele não define caráter. Meu pai, da black music , admirador dos Black Panthers , sempre perto da vagabundagem mas nunca se tornou vagabundo . Negro , pobre, morador de comunidade carente. Vive. Enquanto meninos da mesmíssima condição já estão com Deus à muito tempo.Venceu, à sua maneira, mas venceu. Ele dizia "Não existe cota pra vencedor nessa vida ,corre atrás Filipe". e é isso que tenho feito.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Multiusos Do Espaço Público : Partiu Golzinho?

Ontem fui inventar de bater um golzinho com meus vizinhos, algo comum para um garoto suburbano como eu . Num momento desses de jogo frenético, um amigo arrancou o "tampão" do dedo , quem joga sabe o que é isso. Dai me veio uma ideia meio doida: golzinho é praticado em espaço publicos que não são feitos para isso. Deve - se talvez à falta de espaços destinados à pratica ,ou a alma subversiva da rua. Poderiam ser citados outros usos , mas falta me a memória e a vontade de falar deste é algo que já vinha crescendo enquanto eu corria atrás da pelota.
 Vivemos em um mundo globalizado, onde à muito tempo os fluxos de informações conseguem romper os muros simbólicos entre as classes sociais,não em todos os casos,mas sabe se que em todo lugar se sabe o que está acontecendo e sendo vivido em outros lugares. Por causa disso meninos como eu cresem vendo seus idolos jogarem e querem jogar também, alguns destes crescem e inspiram outros meninos que hoje veem aqueles primeiros meninos tomarem posição de idolo, ao ponto de ser um sonho mais ou menos de todo menino ser um jogador de futebol.Não vou entrar no mérito disso ser bom ou ruim, mas que é fato é.
 Poderia ser lindo, e todo menino poder jogar um futebol em uma bela quadra ou campo, como nos bairros mais ricos. Escolinha de futebol do flamengo, uma Nike total 90 (hoje Hypervenom ou Mercurial, mas na minha época era a total),uniforme bonitinho. Não. Onde eu morava era uma ladeira onde a cada 15 min. revesava-se o lado pró ataque, pois achavamos justo. Sempre quem ficava "na outra" era gandula na parte baixa da rua. Creio que realidades parecidas pipocam Brasil a fora.
Me chamem de chato , mas não vejo outro problema se não a ineficiência das políticas públicas para a criação destes espaços. Toda vez que tem uma quadrinha um pouco melhor,pode ver que tem ong ou organização dos próprios moradores por trás disso, e o que é chato, pois acaba por limitar o uso destes espaços. É justo, mas é semi democratizador,quase que uma privatização civil de um espaço publico. um cercamento de campos,literalmente rsrs.
Agora, a rua não ! a rua tem a beleza do não pertencer e ao mesmo tempo ser de todos.Nunca cheguei em uma rua Brasil a fora em que estivesse rolando um golzinho e que eu pedisse pra jogar que eu não fosse aceito, diferente de muitas quadras por ai ,como a da via ligth,que no começo que era "privatizada" pelos locais do centro , onde a aparencia de condição socioeconomica superior dos presentes já intimidaria a aproximação. Na rua não.
 Ouso dizer que o espaço e a praxis do golzinho são algumas das poucas coisas na sociedade que são construidas democráticamente (tirando os momentos em que o dono da bola acha que manda no jogo, mas isso é superavel)
 gostaria de dividir alguns destes pontos :

 o espaço é delimitado e dividido apartir de convenções democráticas ;

 fazem se as (poucas)leis , que são cumpridas na maior parte das vezes;

a aceitação social de funções não é imposta, mas baseada nas aptidões pessoais, e quando impostas revesam se;

 respeitam-se os outros usos da rua ( para ai pro carro passar, olha a moça passando com criança), e isso não desfaz o uso pro golzinho.

Enfim, é só um punhado de ideias iniciais surgidas depois de uma horinha de golzinho. Quem sabe podemos usar essas para medir a nossa realidade social ? Não sei de muita coisa,mas sei que no golzinho, somos todos rua. Quatro de cada lado, apenas o futebol ,nós mesmos e a rua. E ai ? partiu golzinho ?