sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Multiusos Do Espaço Público : Partiu Golzinho?

Ontem fui inventar de bater um golzinho com meus vizinhos, algo comum para um garoto suburbano como eu . Num momento desses de jogo frenético, um amigo arrancou o "tampão" do dedo , quem joga sabe o que é isso. Dai me veio uma ideia meio doida: golzinho é praticado em espaço publicos que não são feitos para isso. Deve - se talvez à falta de espaços destinados à pratica ,ou a alma subversiva da rua. Poderiam ser citados outros usos , mas falta me a memória e a vontade de falar deste é algo que já vinha crescendo enquanto eu corria atrás da pelota.
 Vivemos em um mundo globalizado, onde à muito tempo os fluxos de informações conseguem romper os muros simbólicos entre as classes sociais,não em todos os casos,mas sabe se que em todo lugar se sabe o que está acontecendo e sendo vivido em outros lugares. Por causa disso meninos como eu cresem vendo seus idolos jogarem e querem jogar também, alguns destes crescem e inspiram outros meninos que hoje veem aqueles primeiros meninos tomarem posição de idolo, ao ponto de ser um sonho mais ou menos de todo menino ser um jogador de futebol.Não vou entrar no mérito disso ser bom ou ruim, mas que é fato é.
 Poderia ser lindo, e todo menino poder jogar um futebol em uma bela quadra ou campo, como nos bairros mais ricos. Escolinha de futebol do flamengo, uma Nike total 90 (hoje Hypervenom ou Mercurial, mas na minha época era a total),uniforme bonitinho. Não. Onde eu morava era uma ladeira onde a cada 15 min. revesava-se o lado pró ataque, pois achavamos justo. Sempre quem ficava "na outra" era gandula na parte baixa da rua. Creio que realidades parecidas pipocam Brasil a fora.
Me chamem de chato , mas não vejo outro problema se não a ineficiência das políticas públicas para a criação destes espaços. Toda vez que tem uma quadrinha um pouco melhor,pode ver que tem ong ou organização dos próprios moradores por trás disso, e o que é chato, pois acaba por limitar o uso destes espaços. É justo, mas é semi democratizador,quase que uma privatização civil de um espaço publico. um cercamento de campos,literalmente rsrs.
Agora, a rua não ! a rua tem a beleza do não pertencer e ao mesmo tempo ser de todos.Nunca cheguei em uma rua Brasil a fora em que estivesse rolando um golzinho e que eu pedisse pra jogar que eu não fosse aceito, diferente de muitas quadras por ai ,como a da via ligth,que no começo que era "privatizada" pelos locais do centro , onde a aparencia de condição socioeconomica superior dos presentes já intimidaria a aproximação. Na rua não.
 Ouso dizer que o espaço e a praxis do golzinho são algumas das poucas coisas na sociedade que são construidas democráticamente (tirando os momentos em que o dono da bola acha que manda no jogo, mas isso é superavel)
 gostaria de dividir alguns destes pontos :

 o espaço é delimitado e dividido apartir de convenções democráticas ;

 fazem se as (poucas)leis , que são cumpridas na maior parte das vezes;

a aceitação social de funções não é imposta, mas baseada nas aptidões pessoais, e quando impostas revesam se;

 respeitam-se os outros usos da rua ( para ai pro carro passar, olha a moça passando com criança), e isso não desfaz o uso pro golzinho.

Enfim, é só um punhado de ideias iniciais surgidas depois de uma horinha de golzinho. Quem sabe podemos usar essas para medir a nossa realidade social ? Não sei de muita coisa,mas sei que no golzinho, somos todos rua. Quatro de cada lado, apenas o futebol ,nós mesmos e a rua. E ai ? partiu golzinho ?

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