Tudo escuro. poeira e mais poeira
entrando por todos os cantos do ônibus. Eu
conversando com Barbara sobre casamento e
casa, lá atrás o violão já tava um tédio.
Cilada maior que a de bino é ser motorista da
Rural. Só de zuera eu passei o dedo na poeira
da estrada e marquei de vermelho-poeira o
aviso que dizia "proibido passar em estrada
de terra" hahaha. agora era tarde.
Lá na frente uma luz pequena ,
um carro ? um dos milhares de jeeps que
passavam por ali vindo ou indo à Brasilia ?
não , era a salvação ! no meio do escuro
surgia o vilarejo de S.Jorge. Os zoeiros de
plantão gritavam "salve jorge" pela tamanha
satisfação que era chegar à um pouso. afinal,
já eram quase 24 horas dentro de um onibus.
O onibus da rural é uma coisa tão
grande que chega a ser escroto entrar num
vilarejo assim tão pequeno. Paramos a vida
pacata local com nosso gigante de prata,
mas mesmo com toda a aura mistica e
naturalista ao redor daquele lugar não fomos
alvo de olhares acusadores , como se aquele
não fosse nosso lugar por causa de nossa
"cara de turista" , mas fomos recebidos com
acenos e sorrisos. Que lugar roots ! descemos
do onibus. Tivemos um pouco de dificuldade
para parar ele em algum lugar , mas deixamos
proximo à praça principal dali. Comida
caseira , senhora simpática . Melhor que o
restaurante de brasília.
Jantar pago, seguimos com as
tralhas para nosso campinng . Ouvi o Emerson
dizer que era por ali, no meio do escuro.
Viramos à direita e o caminho de velas surgia
no meio da noite escura, porem estrelada, do
coração do pais. Barracas armadas, fila pra
tomar banho nos unicos 2 banheiros do
campinng, as gracinhas da pequena filha do
dono campinng, criança sortuda de ter nascido
em um lugar tão abençoado por Deus e bonito
por natureza.Uma mesa de madeira, Daft
Punk no rádio dizendo que "we up all nigth toget lucky". Vamos pro forró dali ?
Comentários escrotos sobre como
a qualquer momento um estuprador poderia
sair daquele mato,era a camila que estava
comigo ? acho que sim . À porta do forro,
ficamos meio " e ai , é só sair entrando ?"
estava tão escrito na nossa cara isso que os
próprios "seguranças" falara para entrarmos e
ficarmos à vontade. Pinturas nas paredes, um
dj tocando forro ,que de 10 musicas eu
conhecia 1/2 música.Muita mulher bonita,
não gostosa, bonita mesmo, encantadoras .
tinha uns caras bem bonitos também, gente
simpática , provavelmente da UnB, Ah, e o
"povo que veio do rio" .
Eu naquele dia tive a plena
certeza de que não sei dançar forró, ainda
bem que camila é compreensiva e estava
tentando me ensinar, mas ela também sabia
pouco e já estava ficando "alegre".
Professores dançando, inventando passos,
conversando de coisas para além da
graduação, afinal, isso também é aprender.
Um dragão caindo do teto, o mezanino onde
tinha "charuto", um cheiro de perfume
importado,paz e amor, "isso é coisa feia".Que
noite linda.
Não sei que horas eram , mas
combinamos de voltar. carreguei alguém nas
costas , fizemos bagunça na rua , tanta
bagunça que uma galera legal se aproximou
de nós e perguntou se o onibus era o nosso.
Sim. "Vocês fazem geografia né ? " sem saber
como eles sabiam respondemos que sim;
eram nossos irmãos de geografia lá da UnB.
Risadas, referencias , convites ao bar. "vamos
pra queda de 80mts amanhã", "então é
melhor vocês dormirem" , recomendaram-nos
e despediram-se com o isquero que lhes dei
de presente. As ultimas conversas, bebados
na minha barraca. Boa noite. E logo após o
dia se acendeu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário