Céu azul. Mas um vento frio
deixava-nos a pensar que o dia talvez não
vingasse. Mas vingou. Logo a bola de fogo
subiu lá do leste , empurrada por Deus que lá
do céu dizia: tenham um bom dia. Café, fila
pro banho de novo, a filha do dono do
camping dormia,mas a rural já estava de pé e
a mil por hora. O primeiro guia apareceu e
falou lá umas coisas que nem prestei
atenção,queijo no prato e a cabeça ainda
toenteada da farra do ontem.Desmonta a
barraca pra quando voltarmos só colocar no
bus.
Partimos. Uma rua empoeirada ,
já estamos na chapada? nos dormimos na
chapada ! hahaha. Arroz, feijão e ganja , um
grafitte fora da rua ? lembrei de casa e do
meu cotidiano e lembrei que rua não se
resume ao asfalto , as pessoas são "a rua".
Portal da chapada, mais dois guias e um
mestre : seu wilson, ex garimpeiro que
conhece a chapada com a palma de sua mão.
Sabe das ervas, das rochas e fez a
faculdade... não. a vida foi a melhor
faculdade. Mestrado , doutorado, pós doc em
chapadologia. Uma barba melhor que a de
marx e a do papai noel.
É proibido qualquer tipo de
extração da chapada, com excessão a de
memórias. Céu azul(zão), arvores torcidas,
rochas e mais rochas. Trilha pesada, uns 8km
de descida e subida. chapadão monstruoso
na nossa frente, flores lindas surgiam e quase
ninguém via, as plantas que saram, que
curam e rejuvenescem (em um sentido sexual)
.Uma nave espacial caiu e deixou um rastro
de vidro no chão,como milhões de cristais
espalhados numa micro clareira no meio do
cerrado. Meu guia me disse que quase sumiu
por causa da extração ilegal de material, mas
mesmo assim aquele era o lugar mais
brilhante do planeta terra (segundo a NASA)
.
Buracos dos tempos de garimpo, memórias
de garimpeiro, me dá um pouco d'agua, a
minha já acabou. Um canyon , paredão de
rocha com um corrego lá no fundo . Olhei pra
direita e uma mega queda d'agua. 120mts de
inesperada beleza.
Logo depois de umas descidas
um lago lindo formado por uma outra
cachoeira , a de 80mts ,acabou a sede e o
calor. Bebi daquela agua, mergulhei no rio-
lago. Felicidade, sol, som da agua caindo
forte, fotografia de leve recorda,registra mas
não substitui o momento vivido. macarrão de
fogareiro feito em cima de uma pedra, minha
camisa molhada secando um pouco numa
pedra . Vamos ? trakinas de morango é o
elixir da força eterna !
mais trilha, agora
subindo. Visual de campo de areia branca
com vegetação mais baixa, lembrei das
vegetações preservadas na barra,
palmeirinhas, som de agua.
Um visual indescritivel, talvez
unico. Rochas vermelhonas com uma
correnteza muito leve , poço de pedra que
engana os que querem mergulhar achando
que é raso. Se tem agua em marte deve
parecer com isso. Fotografando os amigos,
conversas na outra parte perto das
corredeiras própriamente ditas, malditos
sejam os peixes que mordem as pessoas ! ceu
azul com nuvens, mas ainda azul. Wilson ,
tira foto com a gente ? tiro, mas temos que
ir.
Trilha bizarra na volta, todo mundo morto,
mas feliz.
Chegar no vilarejo, meu tenis
destruido, assim como diversos outros tenis
de amigos, independente se era da leader ou
da adidas, só o tenis da camila resistiu, não
podemos dizer o mesmo do pé dela. Jantar
rápido enquanto outros tomavam banho,
tentativas de comprar coisas , mas tudo
muito caro. A exclusividade fazia valer.
Maldito capitalismo ! Subimos no gigante de
prata e saimos pela poeira da estrada , cheios
de estórias, sorrisos e sono. A ultima coisa
que me lembro é da entrada de alto paraiso,
depois disso só me lembro do sonho que
tive .tive a melhor noite dos ultimos dias.
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