domingo, 5 de janeiro de 2014

O santo guerreiro do Cerrado : nas ruas quenão são ruas #outrasruas

                           Céu azul. Mas um vento frio deixava-nos a pensar que o dia talvez não vingasse. Mas vingou. Logo a bola de fogo subiu lá do leste , empurrada por Deus que lá do céu dizia: tenham um bom dia. Café, fila pro banho de novo, a filha do dono do camping dormia,mas a rural já estava de pé e a mil por hora. O primeiro guia apareceu e falou lá umas coisas que nem prestei atenção,queijo no prato e a cabeça ainda toenteada da farra do ontem.Desmonta a barraca pra quando voltarmos só colocar no bus.
                           Partimos. Uma rua empoeirada , já estamos na chapada? nos dormimos na chapada ! hahaha. Arroz, feijão e ganja , um grafitte fora da rua ? lembrei de casa e do meu cotidiano e lembrei que rua não se resume ao asfalto , as pessoas são "a rua". Portal da chapada, mais dois guias e um mestre : seu wilson, ex garimpeiro que conhece a chapada com a palma de sua mão. Sabe das ervas, das rochas e fez a faculdade... não. a vida foi a melhor faculdade. Mestrado , doutorado, pós doc em chapadologia. Uma barba melhor que a de marx e a do papai noel.
                        É proibido qualquer tipo de extração da chapada, com excessão a de memórias. Céu azul(zão), arvores torcidas, rochas e mais rochas. Trilha pesada, uns 8km de descida e subida. chapadão monstruoso na nossa frente, flores lindas surgiam e quase ninguém via, as plantas que saram, que curam e rejuvenescem (em um sentido sexual) .Uma nave espacial caiu e deixou um rastro de vidro no chão,como milhões de cristais espalhados numa micro clareira no meio do cerrado. Meu guia me disse que quase sumiu por causa da extração ilegal de material, mas mesmo assim aquele era o lugar mais brilhante do planeta terra (segundo a NASA) .
                     Buracos dos tempos de garimpo, memórias de garimpeiro, me dá um pouco d'agua, a minha já acabou. Um canyon , paredão de rocha com um corrego lá no fundo . Olhei pra direita e uma mega queda d'agua. 120mts de inesperada beleza. Logo depois de umas descidas um lago lindo formado por uma outra cachoeira , a de 80mts ,acabou a sede e o calor. Bebi daquela agua, mergulhei no rio- lago. Felicidade, sol, som da agua caindo forte, fotografia de leve recorda,registra mas não substitui o momento vivido. macarrão de fogareiro feito em cima de uma pedra, minha camisa molhada secando um pouco numa pedra . Vamos ? trakinas de morango é o elixir da força eterna !
                     mais trilha, agora subindo. Visual de campo de areia branca com vegetação mais baixa, lembrei das vegetações preservadas na barra, palmeirinhas, som de agua. Um visual indescritivel, talvez unico. Rochas vermelhonas com uma correnteza muito leve , poço de pedra que engana os que querem mergulhar achando que é raso. Se tem agua em marte deve parecer com isso. Fotografando os amigos, conversas na outra parte perto das corredeiras própriamente ditas, malditos sejam os peixes que mordem as pessoas ! ceu azul com nuvens, mas ainda azul. Wilson , tira foto com a gente ? tiro, mas temos que ir.
                   Trilha bizarra na volta, todo mundo morto, mas feliz. Chegar no vilarejo, meu tenis destruido, assim como diversos outros tenis de amigos, independente se era da leader ou da adidas, só o tenis da camila resistiu, não podemos dizer o mesmo do pé dela. Jantar rápido enquanto outros tomavam banho, tentativas de comprar coisas , mas tudo muito caro. A exclusividade fazia valer. Maldito capitalismo ! Subimos no gigante de prata e saimos pela poeira da estrada , cheios de estórias, sorrisos e sono. A ultima coisa que me lembro é da entrada de alto paraiso, depois disso só me lembro do sonho que tive .tive a melhor noite dos ultimos dias.

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