sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Sobre Chico Buarque,Nego do Borel, Bourdieu e a academia que eu quero

                                Antes de tudo, este texto quase que não não vai falar dos referidos em seu tema . De coração, nada tenho contra chico , nem contra quem o ouve . E digo mais, não foi intencional a escolha de tal nome, foi o primeiro que veio na minha mente . poderia citar ai mais uma centena de nomes , tanto da nossa nacionalidade , quanto do exterior. Coisas como " cara, legião é a melhor coisa do mundo " ou " Cazuza (que era mó burgues) é mito/deus e blablablá... como não amar ? " acompanharam a minha infância e Adolescência. As vezes penso que isso me fez mal, pois não conheço a fundo NADA desses caras (e sinceramente já não tenho a menor vontade de conhecer), as vezes penso que isso fez bem, pois me levou a escutar coisas realmente populares e até não populares (por populares, chamo as coisas do povo, pelo povo e para o povo) , mas menos valorizadas que as canções destes nomes citados.
                               Todos conhecem faroeste caboclo , que realmente não pode se dizer nada de mau, é uma bela canção. Mas e a "saga de um vaqueiro" ? da banda Mastruz com Leite ? quem ai conhece ? acho difícil algum dos meus amigos ditos "cultos" conhecer. Pois bem. Para os que não conhecem ,a saga do vaqueiro conta uma historia sobre um vaqueiro (dã) e as indas e vindas em uma busca por estar junto de seu grande amor. é uma canção que deve ter uns 8-9 minutos de duração (tipo a faroeste). Não contarei o final da história , mas garanto que é mais surpreendente que faroeste. Porque "faroeste" é maravilhosa e "a saga" é feia ? (não na minha opinião).Sinceramente se você leu até aqui pensando em encontrar uma resposta, lamento mas também não a tenho.Até tenho a resposta, mas vou a deixar subentendida. Sei que ocorre uma certa supervalorização de algumas coisas de nosso panteão cultural em detrimento de outras, e isso restringe a ampliação do nosso conhecer.
                           Já pararam pra pensar. Quantas vezes você viu um clipe do Cazuza ou da legião na MTV ? quantas vezes você ouviu numa grande rádio em nível de transmissão nacional alguma musica que representasse essencialmente o mercado musical ? Refaça essas duas perguntas , mas substitua o mainstream pop/rock por uma musica do nosso sentimento ou do forró limão com mel e mercado musical por produção "mais popular".Sabemos que a grande mídia nunca quis favorecer as classes menos privilegiadas ou a cultura/produção destas , tudo que é feito é feito pela classe média e voltado para o entretenimento da classe média (não a chamada nova classe média, essa foi descoberta como mercado recentemente , principalmente pela globo).Tudo que foi recebido foi por simples imposição dos gostos e modelos de bem viver (ou bem estar HUAHAUAHUAHU) de uma classe social nesse longo período de violência simbólica (salve Bourdieu!) gerado historicamente pela grande mídia brasileira , que é pela/para a burguesia (to marxista demais hoje). e infelizmente tem gente boa,que nem é burgues se contaminando/já contaminada com isso , e o pior: brigando com seus irmãos de classe por não terem sido contaminados.
                     Dai ,vivemos numa época em que se eu falar que gosto de funk e pagode na universidade , sou quase que morto, porque o "universitário tem que ser o estandarte do o que é 'culto'",e é tal postura que limita a atuação da academia como agente de transformação social,criando um muro gigante entre a teoria e a prática.Infeliz postura que gera muitos academicos por aí que gostam muito de pobre... pra fazer pesquisas com eles e engordar curriculo lattes, melhorar suas realidades que é bom... só no papel mesmo.
                    Escrevi esse texto porque dia desses falei que Chico Buarque ,pra mim, não é grande coisa. é obvio que tem toda a questão dele falar contra a ditadura e tal , que realmente é importante, mas fora isso, nada demais. Por causa dessa opinião , perdi amiguinhos (que pena !). Mas por sorte , outros amiguinhos que entendem as racionalidades alternativas e as subverssões da cultura popular se juntaram e formam resistencia ao modelo de pensar e ouvir unico. Não quero implantar a ditadura boreliana (salve Nego do Borel!) na universidade, porque também não seria certo, eu estaria fazendo a mesma coisa que fazem comigo hoje. Eu só queria que as pessoas ,em vez de torcer o nariz e meter um cd da marisa monte pra tocar,se abrissem para os outros modos da produção cultural,quebrando assim alguns muros que existem entre "o pistão" e a "facul". Isso seria um dos passos para que a academia estivesse mais na rua, e a rua mais dentro da universidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário