Antes de tudo, este texto quase
que não não vai falar dos referidos em seu tema .
De coração, nada tenho contra chico , nem
contra quem o ouve . E digo mais, não foi
intencional a escolha de tal nome, foi o
primeiro que veio na minha mente . poderia
citar ai mais uma centena de nomes , tanto
da nossa nacionalidade , quanto do exterior.
Coisas como " cara, legião é a melhor coisa
do mundo " ou " Cazuza (que era mó burgues)
é mito/deus e blablablá... como não amar ? "
acompanharam a minha infância e
Adolescência. As vezes penso que isso me fez
mal, pois não conheço a fundo NADA desses
caras (e sinceramente já não tenho a menor
vontade de conhecer), as vezes penso que
isso fez bem, pois me levou a escutar coisas
realmente populares e até não populares
(por populares, chamo as coisas do povo,
pelo povo e para o povo) , mas menos
valorizadas que as canções destes nomes
citados.
Todos conhecem faroeste
caboclo , que realmente não pode se dizer
nada de mau, é uma bela canção. Mas e a
"saga de um vaqueiro" ? da banda Mastruz com
Leite ? quem ai conhece ? acho difícil algum
dos meus amigos ditos "cultos" conhecer.
Pois bem. Para os que não conhecem ,a saga
do vaqueiro conta uma historia sobre um
vaqueiro (dã) e as indas e vindas em uma
busca por estar junto de seu grande amor. é
uma canção que deve ter uns 8-9 minutos de
duração (tipo a faroeste). Não contarei o final
da história , mas garanto que é mais
surpreendente que faroeste. Porque "faroeste"
é maravilhosa e "a saga" é feia ? (não na
minha opinião).Sinceramente se você leu até
aqui pensando em encontrar uma resposta,
lamento mas também não a tenho.Até tenho a
resposta, mas vou a deixar subentendida. Sei
que ocorre uma certa supervalorização de
algumas coisas de nosso panteão cultural em
detrimento de outras, e isso restringe a
ampliação do nosso conhecer.
Já pararam pra pensar. Quantas
vezes você viu um clipe do Cazuza ou da
legião na MTV ? quantas vezes você ouviu
numa grande rádio em nível de transmissão
nacional alguma musica que representasse
essencialmente o mercado musical ? Refaça
essas duas perguntas , mas substitua o
mainstream pop/rock por uma musica do
nosso sentimento ou do forró limão com mel
e mercado musical por produção "mais
popular".Sabemos que a grande mídia nunca
quis favorecer as classes menos privilegiadas
ou a cultura/produção destas , tudo que é
feito é feito pela classe média e voltado para
o entretenimento da classe média (não a
chamada nova classe média, essa foi
descoberta como mercado recentemente ,
principalmente pela globo).Tudo que foi
recebido foi por simples imposição dos gostos
e modelos de bem viver (ou bem estar
HUAHAUAHUAHU) de uma classe social
nesse longo período de violência simbólica
(salve Bourdieu!) gerado historicamente pela
grande mídia brasileira , que é pela/para a
burguesia (to marxista demais hoje). e
infelizmente tem gente boa,que nem é burgues
se contaminando/já contaminada com isso , e
o pior: brigando com seus irmãos de classe
por não terem sido contaminados.
Dai ,vivemos numa época em que
se eu falar que gosto de funk e pagode na
universidade , sou quase que morto, porque o
"universitário tem que ser o estandarte do o
que é 'culto'",e é tal postura que limita a
atuação da academia como agente de
transformação social,criando um muro
gigante entre a teoria e a prática.Infeliz
postura que gera muitos academicos por aí
que gostam muito de pobre... pra fazer
pesquisas com eles e engordar curriculo
lattes, melhorar suas realidades que é bom...
só no papel mesmo.
Escrevi esse texto porque
dia desses falei que Chico Buarque ,pra mim,
não é grande coisa. é obvio que tem toda a
questão dele falar contra a ditadura e tal , que
realmente é importante, mas fora isso, nada
demais. Por causa dessa opinião , perdi
amiguinhos (que pena !). Mas por sorte ,
outros amiguinhos que entendem
as racionalidades alternativas e as
subverssões da cultura popular se juntaram e
formam resistencia ao modelo de pensar e
ouvir unico. Não quero implantar a ditadura
boreliana (salve Nego do Borel!) na
universidade, porque também não seria certo,
eu estaria fazendo a mesma coisa que fazem
comigo hoje. Eu só queria que as pessoas ,em
vez de torcer o nariz e meter um cd da marisa
monte pra tocar,se abrissem para os outros
modos da produção cultural,quebrando assim
alguns muros que existem entre "o pistão" e a
"facul". Isso seria um dos passos para que a
academia estivesse mais na rua, e a rua mais
dentro da universidade.
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